‘VIDA LONGA E PRÓSPERA’

27 de fevereiro de 2016

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Um ano da morte de Leonard Nimoy, o Sr. Spock, de Star Trek! Esta ilustração foi feita na ocasião para uma edição especial do Somnium, publicação digital do CLFC (Clube dos Leitores de Ficção Científica), juntamente com outra série de desenhos e artigos. Mas por uma série de fatos, a edição nunca foi terminada. Fica o que seria a capa da edição, portanto, como homenagem a Nimoy. Vida Longa e Próspera.

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Crônica marciana

4 de outubro de 2015

AS ÁGUAS DE MARTE

Nasa anuncia descoberta de água corrente no Planeta Vermelho na semana de lançamento do filme Perdido em Marte. Coincidência?

Matt Damon portrays an astronaut who faces seemingly insurmountable odds as he tries to find a way to subsist on a hostile planet.

No começo desta semana (dia 28 de setembro), a Nasa (Agência Espacial Americana) marcou uma coletiva sobre o planeta Marte que provocou todo tipo de especulação: da descoberta de pirâmides ou alienígenas a vida microbiana no Planeta Vermelho, passando por outras menos fantásticas. A resposta da agência espacial foi mais prosaica, como se esperava, embora não menos sensacional: no planeta, menor que a Terra e mais distante do Sol, tinha sido descoberta, de maneira comprovada, água em estado corrente em sua superfície, em regiões altas, durante períodos do ano. Embora uma água tipo salmoura, altamente salinizada, a comprovação do fato abriu precedentes científicos fundamentais na possibilidade de descoberta de vida (microbiana), além de aumentar o suporte para uma futura viagem ao quarto planeta.

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Na mesma semana, mais exatamente nesta quinta-feira (1º de outubro), aconteceu o lançamento nacional de Perdido em Marte (The Martian) filme de Ridley Scott (Gladiador, Blade Runner, Alien) baseado no livro best seller do engenheiro de softwares e agora, escritor de ficção científica Andy Weir. Ele lançou a história inicialmente em seu blog e em ebook na Amazon, e com o sucesso da narrativa fictícia sobre um astronauta de um futuro próximo que, depois de um acidente, é abandonado sozinho em Marte, lutando pela sobrevivência num mundo hostil com sua inteligência, ganhou contrato por uma grande editora. No Brasil, o livro é publicado pela Arqueiro.

Seja como for, a coincidência do lançamento (nos EUA o filme foi lançado na sexta, dia 2) levou muita gente a acreditar num marketing premeditado e benéfico para ambos – Hollywood e Nasa. É bastante provável, já que os cientistas da Nasa gostaram muito do livro e o filme poderia despertar uma atitude positiva do contribuinte americano (que é quem paga, no final das contas, o programa espacial) e validar uma verdadeira viagem à Marte no prazo proposto pelo filme, por volta 2030. Se os chineses, hindus, russos ou europeus não forem primeiro. Enquanto isso, o programa espacial brasileiro continua empacado e até o contrato com a Ucrânia foi cancelado, crise abaixo.

O filme

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Perdido em Marte, o filme, narra as desventuras de Mark Watney (Matt Damon, de Interestelar), que é deixado para trás no Planeta Vermelho depois de dado como morto, quando sua equipe precisa ir embora às pressas. Sem comunicação, somente daí a quatro anos uma nova missão voltará a Marte, mas ele tem pouco mais que 300 dias de mantimentos e água para sobreviver. Depois disso, morrerá de fome ou sede – a não ser que use seus conhecimentos como engenheiro e botânico para plantar batatas no solo marciano e extrair água e oxigênio de combustível de foguete e tentar prolongar sua vida o máximo possível, até que a Terra saiba que está vivo e possa ser resgatado. Praticamente uma narrativa moderna de Robinson Crusoé.

 Marte e os seres da Terra

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Marte é um planeta que exerce grande fascínio sobre a civilização humana, há muitas décadas, desde as primeiras observações astronômicas de alguma relevância, ainda no século 19. Vem dessa época a ideia de que o planeta era habitado por alguma antiga civilização decadente, lutando pela falta água num mundo desértico. Essa visão foi popularizada com a descoberta pelo astrônomo italiano Schiaparelli de ‘canali’ em Marte. Com uma tradução errônea deste termo, que se referia a canais por principio naturais, para o inglês ‘canals’, que em tempos de construção dos canais do Panamá e Suez remetiam a canais artificiais, estava lançada a semente da civilização decadente de Marte (que por algumas teorias astronômicas então em vigor seria mais velho que a Terra, assim como Venus seria mais novo – razão por que algumas ficções antigas colocavam este mundo como um planeta pré-histórico). O americano Percival Lowell logo enxergou em Marte uma profusão de canais artificiais e sua visão logo se tornou dominante no imaginário popular até o século XX.

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O primeiro grande livro de ficção científica que inaugurou o subgênero ‘invasão espacial’ foi A Guerra dos Mundos, de H. G. Wells, em que o autor britânico fazia os terrestres sentirem na pele o que era ser colonizado por uma civilização mais avançada, numa crítica social invertida e forte ao colonialismo europeu na África. Mais tarde, o criador de Tarzan, Edgar Rice Burroughs inaugurou sua série sobre Barsoon, em que um terrestre era transplantado para lá e enfrentava os mais bizarros seres de uma civilização em conflito. Marte era um cenário de puro escapismo para Burroughs.

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Quanto menos se sabia sobre o verdadeiro Marte, mais ele servia de campo para a imaginação e uma espécie de metáfora da própria Terra, como nas poéticas visões de Ray Bradbury em Crônicas Marcianas. Nos anos 60, em Um Estranho Numa Terra Estranha, de Robert Henlein, um marciano encarnava a contracultura. Lenda urbana dos anos seguintes à Segunda Guerra, os discos voadores tiveram como primeira ‘casa’ justamente o Planeta Vermelho. E no cinema, também nos 60, Robinson Crusoé em Marte misturava um pouco de tudo.

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À medida que as primeiras sondas espaciais americanas e soviéticas (e agora, europeias e até hindus) chegam ao quarto mundo, sabemos muito mais sobre Marte. Que bilhões de anos atrás comportou rios e oceanos (e não apenas correntes de água de no máximo 5 metros de largura como agora relevado) mas secou, devido a muitos fatores, entre os quais a baixa gravidade, que fez boa parte da atmosfera vazar para o espaço, diminuindo a pressão superficial.

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Mesmo assim, quase um mundo morto e possível de futura colonização, Marte ainda é o planeta que mais nos fascina no Sistema Solar, depois do nosso.


SPACE OPERA III

19 de junho de 2015

Space Opera: Aventuras Fabulosas

Por Universos Extraordinários

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No próximo sábado, 20 de junho, sai o terceiro volume da trilogia Space Opera: Aventuras Fabulosas Por Universos Extraordinários, publicada pela Editora Draco, com organização de Hugo Vera e Larissa Caruso. Segundo o blog da Draco, foram escolhidos apenas oito trabalhos dentre 116 inscritos. Minha noveleta Os Argonautas foi um dos selecionados.

Os Argonautas é um típico space opera – aventura passada num futuro remoto, quando a Terra já não mais existe, após sua derrota numa Grande Guerra Galáctica entre seres à base de carbono e de silício. Os silicitas, governados pelo totalitário Um, e de posse de uma arma definitiva, o Nulificador de planetas, levam os carbonianos, especialmente os humanos, à beira da extinção.

Apenas uma espaçonave de guerra resiste, a lendária Argos, convocada pelo Mestre Galáctico Vyor, e com uma tripulação de metahumanos: Jasum, o último terrestre, o piloto cyborg Orion, o colossal Herakles do Sistema Hércules, a tele-empata Prysma de Medea, a psiônica Cristella Yin, de Orfeu, as guerreiras clônicas Shiva Singh I e II, e o telecinético Mosambique Makross, do Sistema Teseu.

Em busca do Velocino Cósmico, a chave para livrar o que restou da humanidade do extermínio, a Argos aventura-se em batalhas entre o hiperespaço e dezenas de mundos, perseguidos pelos Caçadores de Carbono, enfrentando dragões entre os Nômades dos Espaço, Insectóides e Piratas Siderais, monstros silicitas no Sistema Táurida, furiosas harpias em Fênix de Hidra e as sedutoras Sereias de Electra Atlântida, entre outros perigos.

Abaixo, os contos da antologia Space Opera III:

Convite do Imperador – Roberta Spindler

Ecos de Maztah – Carol Chiovatto

Na Crista da Onda – Luis Filipe Silva

Nosso Estranho Amor – Antonio Luiz M C Costa

O Cortiço e as Estrelas – Pedro Vieira

Os Argonautas – Sid Castro

Supremacia de Eufrates – Cirilo S. Lemos

Uma Princesa de Stroff-Bingen – Rui Leite & Júlia Durand

Serviço

Sessão de autógrafos

Quando: Sábado 20/06/2015 às 15:00

Onde: Geek.etc.br – Al. Santos, 2152 – Conjunto Nacional (loja 122), 01418-200 São Paulo/SP

Fan page do evento: facebook.com/events/1691947231033394/


DAREDEVIL

11 de abril de 2015

Demolidor na Netflix

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Na última sexta-feira, dia 10 de abril, ficaram disponíveis aos usuários da plataforma Netflix, por streaming na internet, todos os 13 episódios de uma nova série, Demolidor (Daredevil, no original). Trata-se de um grande projeto da Marvel, a produtora que tem transformado os personagens da editora americana de quadrinhos, agora propriedade da Disney, num grande leque de superproduções interligadas (Homem de Ferro, Capitão América, Os Vingadores, Thor, Guardiões da Galáxia etc). A série exibida na Netflix, embora parte do mesmo Universo, tem uma dimensão menos “cósmica”, digamos, e mais urbana. O Demolidor, e outros heróis da Marvel que também serão adaptados a seguir, não tentarão “salvar o mundo”, mas sim, a vizinhança, o bairro, a cidade, no máximo.

Quem é O Demolidor?

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Antes de tudo, no entanto: quem é esse tal Demolidor? Fora os leitores de quadrinhos, dificilmente a maior parte do público o reconheceria, apesar de já ter um filme para cinema produzido em 2003, que não foi exatamente bem sucedido. Era estrelado por Ben Affleck, escolhido para ser o próximo Batman, o primeiro dos “heróis urbanos noturnos”, de quem Demolidor segue o estilo. Fora isso, o Demolidor teve uma pequena participação como convidado da série de TV do Incrível Hulk, dos anos 80.

Criado por Stan Lee e Bill Everett em 1964, nas revistas da Marvel Comics, Demolidor recebeu esse nome em português ao ser publicado pela primeira vez no Brasil, em 1968, pela extinta editora Ebal, do Rio de Janeiro. No original, significa algo como “Demônio Desafiador”.

Filho de um boxeador fracassado, vivendo no perigoso bairro de Hell’s Kitchen (Cozinha do Inferno) em Nova Iorque, Matt Murdock era um excelente filho, aluno e atleta que ficou cego ainda muito jovem devido a acidente com material radioativo (ou tóxico, segundo a versão da Netflix). Aliás, quase todos os primeiros super-heróis da Marvel tinham essa predileção tipicamente pós-segunda guerra: radiação. O Hulk com seus raios Gama, Quarteto Fantástico com os raios cósmicos, a aranha radioativa do Homem-Aranha, X-Men, os Filhos do Átomo… e assim por diante.

Em compensação ao contágio radioativo/tóxico, Matt descobriu que seus outros sentidos haviam sido ampliados várias vezes, ficando tão aguçados que é capaz de ler um livro passando os dedos sobre as letras, sem ser em braile (tato), identificar pessoas pelo odor (olfato) ou bater do coração (audição). Também consegue ouvir o zumbido de um mosquito a quilômetros de distância, além de possuir uma espécie de radar. Assumiu o uniforme e o codinome de Demolidor para vingar seu pai, assassinado por gangsters da Cozinha do Inferno.

O Demolidor da Netflix

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O Demolidor da Netflix segue a história de Matt Murdock (Charlie Cox), que após se formar advogado, abre sua firma na perigosa Hell’s Kitchen, onde luta por justiça: de dia como advogado, de noite como o Demolidor, usando um uniforme negro. Tem como sócio Foggy Nelson (Elden Henson), e a secretária Karen Page (Deborah Ann Woll) como interesse romântico e primeiro caso do escritório. Seu inimigo é o Rei do Crime (Vicent D’Onofrio), líder do crime organizado na cidade, sob a aparência de um influente homem de negócios.

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O Demolidor da Netflix é bastante fiel aos quadrinhos do personagem, particularmente os mais posteriores ao período em que o desenhista e roteirista Frank Miller revolucionou o herói, que perigava ter sua revista cancelada.

Miller definiu as principais características do Demolidor, com um curioso paralelo com o ícone noturno da DC, Batman, conforme ele próprio também havia redefinido: urbano, sombrio, violento e humano, com um passado trágico. Embora ambos os personagens já se adequassem a esse perfil de origem, foi Miller quem os melhor definiu, incluindo algo pouco explorado nos quadrinhos de super-heróis – a religião. Tanto Wayne quanto Murdock são católicos. Embora Murdock seja um nome de origem irlandesa, Wayne já é escocês – o que lhe daria uma provável e típica filiação protestante, como se via nas lápides frias e quase nuas da sua família por outros ilustradores. Em Miller, tanto no Demolidor quanto em Batman, abundam os cemitérios e igrejas repletos de santos, cruzes e estátuas dramáticas e góticas (como aliás, convém a uma “cidade gótica” – Gothan).

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Essa dramaticidade visual é explorada em Daredevil até na ótima animação da abertura, em que um banho de sangue toma a forma de muitos dos ícones visuais e dramáticos do universo do herói. Com muita ação, cenas de luta violentas e muitos flashbacks, o episódio piloto já disse a que veio e se tornou a melhor adaptação do super-herói, anos-luz à frente da encarnação anterior no cinema vivida por Bem Affleck. Os atores são convincentes e perfeitos nos seus papéis. A união da Marvel com a Netflix não poderia ter sido mais bem sucedida.

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Entre os produtores da série está Jeph Loeb, de “Agents of S.H.I.E.L.D.”, outra série do universo Marvel nos cinemas. O lançamento faz parte de uma iniciativa da Casa das Ideias de ampliar o uso de seus muitos personagens em outras mídias, expandindo ainda mais a série de filmes do cinema, incluindo os que, por força de contratos antigos, estão em outros estúdios, como o Quarteto Fantástico (com novo filme a ser lançado) e X-Men. Já o Homem Aranha voltou a fazer parte dos estúdios Marvel através de um acordo com a Sony, que produziu os filmes anteriores. Um outro seriado, “Marvel Agent Carter” também terminou sua primeira temporada na TV.

Os 13 episódios de Demolidor estão disponíveis a partir de 10 de abril pela Netflix. Depois dele, a Marvel e a Netflix apresentarão as séries A.K.A. Jessica Jones, Luke Cage e Punho de Ferro, seguidas, também em oito episódios, de Defensores, reunindo todos no grupo de super-heróis urbanos.

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Livro

15 de junho de 2014

       HISTÓRIAS FANTÁSTICAS DE FUTEBOL

Antologia da editora Draco aborda o esporte em contos que transitam do sobrenatural à ficção científica

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Em plena época de Copa do Mundo no Brasil, não são poucos os livros lançados abordando o tema, a maioria com caráter jornalístico. Mas também há quadrinhos e games, embora quase nada de filmes, exceto na televisão, como série Copa do Caos, da MTV, agora exibida na Cultura.

Uma exceção em livro, na categoria literatura, é a antologia “Futebol: histórias fantásticas de glória, paixão e vitórias”, da Editora Draco, de São Paulo, lançada esta semana em formato ebook, nos sites da Amazon e Livraria Cultura, e nas próximas semanas como impresso. A antologia é composta por dez contos, abordando o futebol de forma fictícia, com histórias nos mais diversos gêneros do fantástico. Não importa se os jogadores são artificiais, fantasmas, demônios ou simples mortais, o livro mostra que no mundo do futebol não há discriminação. Boleiros que vivem em nossa imaginação entram em campo para mostrar que futebol e literatura fantástica formam uma combinação de placa. Os contos foram escolhidos através de um concurso dentre concorrentes de todo o Brasil, ano passado, esperando a época da Copa para o lançamento. Um dos contos escolhidos, “O Rei do Futebol”, do autor desta coluna, tem como cenário épocas e personagens fictícios e reais do futebol brasileiro: alternautas, espécie de viajantes do tempo e do espaço, revivem realidades diferentes, usando como foco as grandes concentrações mundiais provocadas pelas Copas do Mundo e seu impacto sobre a sociedade. Um jornalista de um outro Brasil, ainda monárquico, nos anos 40, onde não existiu uma Segunda Guerra, faz a cobertura do último jogo de Friedenreich, o mítico primeiro “rei do futebol” brasileiro – um mestiço de uma negra com um alemão, que enfrenta a poderosa seleção nazista do Terceiro Reich. Mas o repórter também é jogado, à sua revelia, num Brasil diferente, menos tolerante e violento, com novo “rei do futebol” – este o mais famoso, o rei Pelé, em plena ditadura, durante a Copa de 70.

Segundo Erick Sama, publisher da Editora Draco, o livro fala “sobre o esporte mais amado do mundo, com aquele tempero que só os brasileiros sabem dar. São dez histórias recheadas de dribles elásticos, craques sobrenaturais, peladas mágicas no campinho da infância e grandes clássicos pelo destino da humanidade, onde pôr a bola na rede pode ser a única forma de salvar a própria alma. Idealizada e escrita por autores fanáticos, prepare-se para verdadeiras batalhas dentro das quatro linhas”.

A seleção dos textos foi organizada pelo escritor Marco Rigobelli, e é composta pelos contos: “Pátria de chuteiras”, de Gerson Lodi-Ribeiro (Rio de Janeiro); “2010 – O ano em que faremos contrato”, de Fábio Fernandes (São Paulo); “Sob o signo de Xoth”, de Carlos Orsi (Jundiaí – SP), “Boost”, de Vinícius Lisboa (Rio de Janeiro); “O último craque”, de Marcel Breton (Belo Horizonte – MG); “Jogo puro”, de Diego Matioli (São Paulo); “O último gol de Tião Canhoto”, de Fabio Baptista (Campos – RJ); “O rei do futebol”, de Sid Castro (Catanduva); “O último jogo”, de Rodrigo van Kampen (Campinas – SP) e “Nos gramados em cinzas da Arena do Abismo”, de Marco Rigobelli (São Paulo).

E quem disse que futebol não dá margem à ficção científica? A própria abertura da Copa, no dia 12 último, em São Paulo, teve uma demonstração (tá, meio que boicotada pela Fifa…) de um modelo de exoesqueleto, capaz de, no futuro, fazer um tetraplégico andar, desenvolvida pelo cientista brasileiro Miguel Nicolelis. Muita gente não compreendeu que se trata de uma tecnologia em estudo – ninguém vai sair por aí com um trambolho daqueles, por enquanto. Num futuro que se espera não muito distante, pessoas com deficiência poderão andar, correr e, talvez até jogar futebol com uma “roupa” especial robótica mais desenvolvida. Por enquanto, isso é ficção científica. (texto originalmente publicado na coluna Imagem & Ação, Caderno Cultura, jornal O Regional – Catanduva – SP – 22/06/14)

 


STAR WARS

11 de maio de 2014

Começam as filmagens de Star Wars 7

 

Saga espacial retoma a trilogia original 30 anos depois,

com elenco original

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Star Wars (1977) foi o filme mais lucrativo da história do cinema depois de E O Vento Levou, descontada a inflação. Mudou a indústria e gerou duas trilogias, além de uma série infindável de produtos derivados. A proposta original do autor, George Lucas, previa três trilogias: o Episódio IV (Uma Nova Esperança), V (O Império Contra-Ataca), VI (O Retorno do Jedi), chamados a Trilogia Clássica; Episódio I (A Ameaça Fantasma), II (O Ataque dos Clones) e III (A Vingança dos Sith), a Nova Trilogia. Lucas pretendia mais três filmes passados no ‘futuro’ dos três primeiros, mas ficou apenas na intenção. Com a venda de Star Wars para a Disney, logo se revelou que não apenas os filmes seriam realizados, como também derivados com outros personagens de uma ‘galáxia muito, muito distante’.

Alan Horn, chefão dos estúdios Disney, informou que as filmagens do sétimo filme da franquia terão início dia 14 de maio (quarta-feira) em Abu Dhabi e continuarão até setembro, dando a J. J. Abrams cerca de quinze meses para trabalhar na pós-produção do filme.

Com o elenco praticamente completo, apesar de vários nomes ainda em segredo, a produção gravou cenas de segunda unidade no Cairo, Marrocos e Islândia. As filmagens principais serão nos estúdios Pinewood, no Reino Unido. Quatro meses podem parecer pouco tempo para um filme como Star Wars, mas na pós-produção haverá espaço para re-filmagens e retoques. Afinal, grande parte da maravilha visual de uma série como Star Wars depende de efeitos digitais. Star Wars: Episódio VII chega aos cinemas no dia 18 de dezembro de 2015.

O filme se passa 30 anos depois do O Retorno de Jedi (83), e traz de volta o elenco principal da trilogia original, que reviverão seus personagens: Mark Hamill (Luke Skywalker), Carrie Fisher (Princesa Leia), Harrison Ford (Han Solo), Anthony Daniels (C3PO), Peter Mayhew (Chewbacca) e Kenny Baker (R2D2).

Claro que, bem mais velhos, eles devem ser o fio condutor da nova geração de heróis que serão apresentados: John Boyega (de Ataque ao Prédio), Daisy Ridley (Mr Selfridge), Adam Driver (Girls), Oscar Isaac (Inside Llewyn Davis) e Andy Serkis, que com certeza deverá interpretar alguma criatura exótica, tal como fez Sméagol, em O Senhor dos Anéis, o gorila de King Kong e o símio Caesar, de Planeta dos Macacos: A Origem. Também fazem parte do elenco Domhnall Gleeson (de Harry Potter e As Relíquias da Morte) e, seguindo a tradição de chamar grandes atores britânicos (no original tínhamos Sir Alec Guiness, como o velho Jedi Obi Wan Kenobi), a Disney contratou Max von Sydow (O Exorcista). Adam Driver (Lincoln) seria o novo vilão, talvez como um ‘padawan’ (discípulo) de Sidow, que talvez seja um antigo mestre Sith.

Não se sabem muitos detalhes do roteiro. Daisy Ridley seria a filha de Han e Leia, Boyega um Jedi e Domhnall Gleeson discípulo de Luke Skywalker. Mas tudo pode ser apenas especulação. Outra seria a presença da oscarizada Lupita Nyong’o, de Sete Anos de Escravidão.

Também estão circulando alguns rumores sobre o subtítulo deste novo longa da franquia. Segundo algumas fontes poderia ser The Ancient Fear (algo com ‘O Medo Ancestral’), provável referência aos Sith e seus poderes.

O plano é lançar Star Wars: Episódio VII, Star Wars: Episódio VIII e Star Wars: Episódio IX ao longo de seis anos, intercalados com pelo menos dois spin-offs, que devem contar as origens de certos personagens. Estes filmes derivados estão sendo escritos por um time que inclui Simon Kinberg (roteirista de X-Men: O Confronto Final), o próprio Abrams e Lawrence Kasdan, que escreveu O Império Contra-Ataca, considerado o melhor da série.

Que a Força esteja com eles.


DATA

2 de fevereiro de 2014

Quadrinhos nacionais comemoram 145 anos

Personagem brasileiro pode ser pioneiro mundial,

 anterior mesmo aos americanos

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Pouca gente sabe, mas os quadrinhos, uma das mídias mais ligadas ao século XX, na verdade foi criado nas décadas finais do século do vapor e da Revolução Industrial, o XIX. Muitos, menos ainda, sabem que o quadrinho nacional é até mesmo anterior ao americano, tradicionalmente o país onde essa arte se estabeleceu como verdadeira indústria de massa, e que agora se tornou base criativa para diversas produções do cinema – particularmente filmes de super-heróis. No Brasil, o Dia do Quadrinho Nacional é comemorado em 30 de janeiro, mas eventos diversos acontecem em todo o país durante a semana atual.

As Aventuras de Nhô Quim ou Impressões de uma Viagem à Corte, foi publicado pela primeira vez em 1869, na revista Vida Fluminense, no Rio de Janeiro, a então capital do Império. Com desenhos do chargista italiano naturalizado brasileiro Angelo Agostini, é considerada a primeira aparição de um personagem fixo de quadrinhos no Brasil. A data foi instituída como Dia Nacional das Histórias em Quadrinhos pela Associação de Quadrinistas e Cartunistas do Estado de São Paulo (AQC-SP), entidade paulista que congrega chargistas, desenhistas e roteiristas de quadrinhos do Estado. Assim, dia 30 marcou os 145 anos da produção nacional de histórias em quadrinhos.

Curiosamente, durante muito tempo a americana The Yellow Kid (O Garoto Amarelo), de Richard Outcalt. foi considerada a primeira história em quadrinhos do mundo. Sua estreia oficial aconteceu no jornal New York World, em 1895. Portanto, a criação brasileira bate de longe o pioneirismo do personagem americano, que agora nomeia o prêmio Yellow Kid, o “Oscar” dos quadrinhos.

As Aventuras de Nhô Quim contava as histórias de um caipira que se mudava para o Rio de Janeiro, expondo os contrastes entre os costumes da época, entre o rural e o urbano, o plebeu e o nobre, o escravo e o livre, fazendo crítica social bem humorada, um fato que se tornaria uma tradição entre os cartunistas brasileiros, ao longo dos anos.

Mesmo assim, sempre foi difícil a manutenção de uma indústria de quadrinhos no país. A exceção é representada pela produção de quadrinhos, animações e merchandising criada por Maurício de Sousa, com sua Turma da Mônica, desde os anos 60. Fora ele, a produção nacional passou por altos e baixos em seus mais diversos gêneros, que chegou a ser a principal produtora de quadrinhos Disney do mundo, no final do século passado.

Com todas as dificuldades de um mercado colonizado culturalmente, todos os gêneros foram produzidos no Brasil, do infantil ao humor adulto, do ‘faroeste feijoada’ aos super-heróis nacionais, como Raio Negro e O Judoka. Um dos gêneros mais bem sucedidos sempre foi o terror, graças ao fato de que nos Estados Unidos, essa vertente chegou a ser censurado durante o McCarthismo, nos anos 50, abrindo uma lacuna para o surgimento de dezenas de revistas nacionais como Terror Negro, O Lobisomem, Spektro, Calafrio e Mestres do Terror, entre outras.

Hoje, além da produção independente e de graphic novels, vendidas em livrarias, atraindo um público mais sofisticado, boa parte da produção nacional passou a utilizar os recursos da internet, nas chamadas webcomics, cujo maior representante foi Combo Rangers, de Fábio Yabu.

Apesar de seus 145 anos, os quadrinhos brasileiros ainda buscam um lugar ao sol, com boa parte de seus melhores desenhistas trabalhando nos mercados americano e europeu.


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