DIESELPUNK

Arquivos Confidenciais de uma Béla Época

Primeira antologia de noveletas dieselpunk do mundo, livro da Editora Draco será lançado durante o V Fantasticon

Desde que as antologias de retrofuturismo Steampunk (Tarja) e Vaporpunk (Draco) foram lançadas, fiquei interessado em escrever algo nesse subgênero da FC. A oportunidade apareceu durante o IV Fantasticon, em 2010, quando o organizador da Vaporpunk, Gerson Lodi-Ribeiro, anunciou outra antologia temática, desta vez numa inédita Dieselpunk, focada nos motores a explosão, que seria o sucessor cronológico da Era do Vapor. Como já estava escrevendo o meu próprio conto Steampunk, o inédito “Os Quatro Ases”, que seguia a linha de um Brasil Império alternativo, apenas adiantei a cronologia para criar uma nova história no mesmo universo.

Após alguns contatos com o organizador, lancei as bases de como seria minha história, que foi sofrendo mudanças de nome e personagens até sua forma definitiva, submetendo-a, como os demais escritores, aos desígnios inescrutáveis de Gerson Lodi-Ribeiro. Passada essa fase angustiante, foram liberados os nomes dos selecionados para a antologia, com nove noveletas ao todo:

Antonio Luiz Costa aparece com “Ao perdedor, as baratas”, que tem toda cara de utilizar elementos de Machado de Assis, como seu conto “A flor do estrume”, publicado no volume Steampunk – Histórias de um Passado Extraordinário. Crítico dos mais temidos da literatura fantástica, Antonio Luiz Costa está se tornando vidraça com os lançamentos destes e outros livros pela Draco: “Eclipse ao pôr do sol e outros contos fantásticos” e o volumoso “Crônicas de Atlântida”.

Cirilo Lemos comparece com “Auto do extermínio”. Desse autor conheço apenas um texto, “Corre, João, corre”, publicado em Imaginários 3, mas vale por muitos. Um dos melhores contos de terror nacionais que já li.

Octavio Aragão , mais conhecido como o criador do universo brasileiro dos viajantes do tempo, Intempol, escreveu “O dia em que Virgulino cortou o rabo da cobra sem fim com o chuço excomungado”. Também escreveu o romance “A Mão que Cria”, com temática de ficção alternativa.

Carlos Orsi Martinho escreveu “A fúria do escorpião azul”. O autor é outro veterano da geração que iniciou com a versão brasileira da revista Isaac Asimov Magazine. “Guerra Justa” e “Nômade” foram seus últimos trabalhos.

Tibor Moricz mandou para a seleção “Grande G”, e ao que tudo indica, também poderia estar na próxima Erotica Phantastica (veja abaixo); autor prolixo, já lançou entre outros, “Fome”, pela Tarja, e “O Peregrino”, pela Draco. É o organizador da antologia “Brinquedos Mortais”, ainda inédita, da qual também farei parte.

Hugo Vera, organizador de outra antologia da Draco, Space Opera, juntamente com Larissa Caruso, foi escolhido com “Impávido colosso”.

Gerson Lodi-Ribeiro, o organizador, também está presente na antologia com “País da aviação”. Também organizou Vaporpunk e, ao parece, não vai parar por aí. Vem ai a antologia Erotica Phantastica (cujo nome é autoexplicativo) e, comenta-se, a próxima na linha “punk”, Solarpunk, seja lá isso o que for.

Jorge Candeias, autor português que também participou de Vaporpunk, escreveu “Só a morte te resgata”, aparentemente uma continuação de “Unidade em chamas”, da antologia steam anterior.

Como ainda não li nenhum desses trabalhos, deixei a minha noveleta, “Cobra de fogo”, por último. Segue uma apresentação mais completa, enviada à editora.

“Cobra de fogo” , de Sid Castro – Após a Era do Vapor, a Belle Epoque foi apenas um breve interregno que antecedeu a nova época dos motores a explosão, dos foguetes e da indústria pesada. As disputas econômicas e coloniais por fontes de matérias primas e mercados levaram ao acirramento dos conflitos entre as nações.

A Guerra Que Acabou Com Todas as Guerras terminou de forma trágica, com explosões atômicas e a imolação de milhões de vítimas. Uma Trégua do Terror dominou o mundo, e do medo emergiu a Liga das Nações, que estabeleceu a Pax Atomica e intermediou um novo tipo de disputa ideológica e tecnológica entre as nações, a Guerra Fria. Não um mundo polarizado por apenas duas superpotências, mas várias. Para evitar um final apocalíptico da civilização, os destinos desse mundo alternativo moldado pela paranóia nuclear e movido por poderosas máquinas a combustão passaram a ser decididos em complexos Jogos Mecânicos regidos pela Liga das Nações. Era 1940, e uma nova Corrida Mundial se anunciava, dessa vez pela divisão dos recursos amazônicos.

A veloz locomotiva voadora M’Boitatá, a “Cobra de Fogo”, é a última esperança do Brasil de proteger seus recursos da sanha colonialista das superpotências. Sua tripulação de maquinistas e agentes imperiais corre contra o tempo e veículos rivais poderosos e experientes como a General Lee, Siegfried, Charlemagne, Yamato e Potenkin, entre outras máquinas lendárias. Partindo da Cidade Livre de Casablanca, atravessam o Sahara até o Egito e Jerusalém; correm pelos domínios imperiais nipônicos e chineses e das estepes russas até o Reich Alemão; e do Reino de França voam aos Estados Confederados da América, enfrentando os perigos de Cidades Proibidas carcomidas pela radiação, mortais esquadrões de homens-foguetes e intrigas políticas.

Acompanhe a corrida mortal da M’Boitatá, a “Cobra de Fogo”, pela integridade do Império do Brasil.

Confessadamente, trata-se de uma noveleta de ficção alternativa com estrutura totalmente “pulp”, algo quadrinesca. Ou até de mangá, já que entre suas muitas influências está o japonês Speed Racer (o anime, não o filme). Parte de seus personagens teve até os nomes, e outras referências, captadas de antigos filmes e seriados, que vão de O Homem Foguete a Casablanca, passando por Stalker. Algumas personalidades históricas do nosso mundo alternativo estão presentes naquele, num outro contexto.

4 respostas para DIESELPUNK

  1. Gerson Lodi-Ribeiro disse:

    Boa pré-resenha, Sid!
    Obrigado pelos “desígnios inescrutáveis”. ;-D

  2. Talita e o Cetro de Gárlia

    Autor: Orácio Felipe
    Sinopse:
    Uma menina, uma profecia, um reino. Segura em um lar adotivo uma princesa prepara-se para retornar ao seu reino mágico e liberta-lo das forças malignas. Uma longa preparação e um intenso amor pela liberdade de seu povo movem a princesa Talita. Mas o mal tem muitas faces e pretende governar o reino de Gárlia por toda a eternidade. O preço: Eliminar a princesa, a semente da libertação. Luz e trevas em combate. Amizade, fidelidade e honra. Talita e o cetro de Gárlia, um conto de aventura num reino distante.

    http://www.clubedosautores.com.br/backstage/my_books/45223

  3. […] foi lançado no dia dos vampiros, 13, sábado (não, Dieselpunk nada tem a ver com vampiros – veja aqui). Ao comprar passagem, me foi oferecida a poltrona 13, que aceitei sem pestanejar, afinal gabo-me […]

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: