13 MOMENTOS DO FANTASTICON 2011

Finalmente, após uma semana de recuperação e volta à realidade, após participar do V Fantásticon, em São Paulo, encontro condições (e tempo) de escrever algo sobre o evento.
Primeiro, fazendo juz ao nome do Simpósio (e que é muito mais do que isso) de Literatura Fantástica, uma passagem (quase) mística da viagem – O Fantásticon aconteceu de 12 a 14 de agosto, sendo que o livro que participo, Dieselpunk, foi lançado no dia dos vampiros, 13, sábado (não, Dieselpunk nada tem a ver com vampiros – veja aqui). Ao comprar passagem, me foi oferecida a poltrona 13, que aceitei sem pestanejar, afinal gabo-me de ser agnóstico e racional. Disse isso ao meu amigo mototaxista Miguel, que me levou até a estação rodoviária, acrescentando que o apartamento em que ficaria seria de número 13, por coincidência. De imediato, Miguel, o único ateu-místico que conheço, revelou que seu número como mototaxista era… 13. Não creio em coincidências, mas que elas existem, existem…

Sete horas depois já estava devidamente instalado no apartamento (aliás, digno de um cenário retrofuturista, com direito àqueles elevadores abertos e gradeados que só se veem em antigos filmes policiais noir…) que me foi cedido na região da República por um amigo jornalista, assessor de imprensa de um sindicato, enquanto aguardava sábado chegar. Perdi a abertura novelística e mutante da sexta-feira por conta do cansaço da viagem e sono atrasado.
Dia 13, após o longo mas rápido trajeto através do metrô República – Sé – Vila Mariana, cheguei à Sena Madureira, até a Biblioteca Temática Viriato Correa, em que já estive duas vezes – no Fantasticon 2010 e durante o lançamento do Portal Fahrenheit. Após o reconhecimento inicial daquele recanto cada vez mais familiar, a primeira pessoa conhecida que encontro, como geralmente acontece, é o escritor Roberto de Sousa Causo (Selva Brasil aqui, Anjo de dor aqui). Ele me apresentou a Vagner e Vitor Vargas, pai e filho – um, ilustrador fantástico das capas da Devir e outro escritor de ‘Isidora encontra o herói acorrentado’, de quem ganhei uma pequena prévia autografada por ambos. Causo também me apresentaria, um pouco mais tarde, a Gumercindo Rocha Dorea, o lendário editor da chamada Geração GRD. Outro amigo que sempre está presente e chegou em seguida é o Chico Paschoal, companheiro que conheci nos Contos Imediatos, alíás, organizado pelo próprio Causo pela Terracota, em 2009.

Enquanto ainda eram desencaixados os livros da livraria Moonshadows, novamente montada nas dependências do Fantasticon, logo dei de cara com Reino das Névoas, primeiro livro solo de Camila Fernandes, ilustrado pela própria, e publicado pela Tarja. Um pouco mais tarde, conheci pessoalmente a pequena notável, após muitos anos de amizade virtual, já que a conheço desde os tempos em que ambos fazíamos parte da SLEV, um grupo de escritores on line que compartilhava um universo próprio de ficção científica, pelo qual passaram muitos bons autores Obviamente, ganhei uma dedicatória em meu exemplar.

Outro velho amigo que sempre reencontro é o Cesar Silva, em cujo fanzine Hiperespaço publiquei meus primeiros contos de FC. Com ele, encontrei também Marcelo Simão Branco, ambos autores do formidável Anuário Brasileiro de Literatura Fantástica. Lastimavelmente, não sobrou um exemplar para comprar na ocasião, o que terei de fazer mais adiante. Até por que, minha mochila logo estaria recheada de livros comprados e ganhos. Entre os ganhos, um exemplar do pequeno mas saboroso Muitas Peles, de Luis Braz, alter ego de Nelson de Oliveira, cuja palestra com o acadêmico Manoel Costa Pinto, do programa Entrelinhas e revista Cult assisti. Realizaram um debate sobre as fronteiras entre a literatura mainstream e a litfan, uma região em que Nelson navega com conhecimento e habilidade.

Dessa vez tive menos tempo para as palestras e batepapos, devido aos inumeros encontros com colegas conhecidos, recém conhecidos e desconhecidos, lançamentos e outras atrações que o Fantasticon provia a todo instante, graças ao empreendedorismo literário do Silvio Alexandre. Destaque para a palestra sobre palavras mágicas, da escritora Rosana Rios e a do escritor Gerson Lodi-Ribeiro, que com sua explanação sobre ‘Sexo e alienígenas’, elevou a imaginação de todos, especialmente dos escritores que pretendem participar de sua futura antologia pela Draco, Erotica Phantastica.

Mas a minha expectativa principal neste Fantasticon foi ter em mãos o aguardado Dieselpunk – Arquivos Confidenciais de Uma Bela Época, antologia editada pela Draco, que tive notícia pela primeira vez justamente numa palestra do Gerson no simpósio do ano passado. Entre dezenas de emails trocados com o organizador desde então, creio ter captado os inescrutáveis desígnios do mesmo para me capacitar a ter uma noveleta aprovada na antologia, o que aconteceu com ‘Cobra de fogo’ aqui.

Logrei por fim conhecer ao vivo o responsável pela antologia da era do motor a explosão, Gerson Lodi-Ribeiro. E foi com extraordinária emoção e volúpia que amealhei meu gordo e bonito exemplar entregue pelo honorável Erick Sama, o publisher da editora do dragão. Não sem aproveitar a chance para uma tietagem explícita, ao requisitar que autografasse meu exemplar do Imaginários 4, que tinha um conto seu. Munido do precioso segundo livro da trilogia punk (o próximo deverá ser Solarpunk, ano que vem), travei conhecimento e captei os devidos autógrafos (para valorizar meu exemplar, certamente) de Tibor Moricz (que tem mesmo nome de escritor de ficção científica, diga-se de passagem…), do Carlos Orsi, do Hugo Vera (aliás, a quem dei meu primeiro autógrafo no mesmo livro) e do Antonio Luiz Costa (que achou graça nos ‘desígnios’ e revelou que teve a sua cota com suas ‘partículas’, em seu próprio conto).

Sabado foi mesmo o dia dos primeiros encontros reais: conheci igualmente ao vivo e abraços, a jovem escritora Bruna Caroline (Insanas… Elas Matam), que me presenteou com um exemplar de Moedas para o barqueiro II, da Andross, que além do conto dela, tinha até mesmo um da minha ex-namorada Kelly (Lizzie Loren) – mundo pequeno. Ela me apresentou o sr. Adorável Noite, Adriano Siqueira, responsável pela bela exposição do mundo dos vampiros, que apresentava até mesmo exemplares de Calafrio, a revista em quadrinhos onde aprendi a escrever muito e rapidamente, editada por Rodolfo Zalla. Por coincidência, no mesmo momento, mas em outro local de Sampa, estava sendo lançada a edição 53 da revista, revivida e, que ao que me consta contém pelo menos dois trabalhos meus, assinados como Sidemar e Sidney Silva (um dos pseudônimos da época, em que escrevia um sem número de roteiros de terror góticos para a publicação).

Também conheci a bela e simpática Amanda Reznor, graciosamente steamer; aliás, o pessoal steampunk arrasou com o clima e idumentárias neovitorianas; o José Roberto Vieira (Baronato de Shoah); Felipe Santos (O preço da imortalidade); reencontrei Giulia Moon (Kaori); a escritora Márcia Olivieri, companheira de Portal; e o jornalista e escritor José Rocha, que assumiu seu lado fotógrafo e fez a melhor cobertura do evento em fotos. Também conheci M.D. Amado, o Estronho & Esquésito, e a historiadora e publisher (da Llyr) Ana Cristina Rodrigues, e a talentosa e bonita Cris Lasaitis (Fábulas do Tempo e da Eternidade), de cujo homérico tombo entre as cadeiras de uma palestra fui testemunha… Não, ela nada sofreu, exceto o constrangimento momentaneo que, maldosamente, torno público…


Outro que encontrei nos dois dias em que estive presente no Fantasticon foi o Juliano Sasseron, companheiro de Território V (Terracota, 2009), que estava lançando nova edição de sua primeira obra, Crianças da Noite. Conversamos bastante sobre o futuro lançamento, para este ano, da antologia de que será responsável pela Novo Século, Batalha dos deuses, onde cada autor responde pelo confronto sobrenatural de uma mitologia específica. O livro deve ser lançado em outubro ou novembro, e minha noveleta será Ragnarök, envolvendo principalmente mitos nórdicos, mas também algo dos celtas.

Consegui adquirir, finalmente, os três primeiros volumes de Ficção de Polpa, nestas alturas, a mais longeva coleção de literatura fantástica do país, editado por Samir Machado, pela Não Editora, do Rio Grande do Sul. Por falar em Porto Alegre, justamente ao adquirir na Moonshadows meu exemplar do pequeno Duplo Heróico 2, da Devir, encontrei o escritor americano Christopher Kastenzmidt, radicado na capital gaúcha e autor da premiada Bandeira do Elefante e da Arara, indicada ao Nébula e ganhador do Realms of Fantasy. Com ele e Tibor Moricz papeamos sobre história do Brasil e elementos fantásticos.

Finalmente, assisti no domingo o batepapo sobre literatura brasileira de entretenimento com os autores best sellers André Vianco (Turno da Noite), Eduardo Spohr (A Batalha do Apocalipse) e Raphael Draccon (Dragões do Éter), mediados pelo escritor Luis Eduardo Matta (O Véu). Lamentavelmente, não pude ficar para assistir à conferência 3d, transmitida desde a Inglaterra (um evento digno de um encotro scifi), e peguei o metro de volta para a estação Barra Funda, caso contrário, só chegaria em Catanduva com o dia raiando.

4 respostas para 13 MOMENTOS DO FANTASTICON 2011

  1. Cesar Silva disse:

    Bela reportagem, Sid. Ainda estou devendo um artigo sobre o evento, embora tenha dado umas tuitadas a respeito. Fiquei em dúvida se a coleção Ficção de Polpa seja a mais longeva série brasileira, pois a coleção Paradigmas da Tarja, embora esteja parada há algum tempo, surgiu mais ou menos na mesma época e também lançou 4 números.
    Também a coleção Imaginários lançou 4 números, embora esteja no mercado há menos tempo. Isso se ficarmos no material recente, pois tivemos outras coleções de FC&F no Brasil com muitos números editados, como as da GRD, por exemplo, publicadas ao longo de muitos anos, e a Coleção Fantástica, que eu publico de forma alternativa desde 1999 e já apresentou 12 volumes numerados (em duas séries de 6) e várias edições especiais.
    E é melhor eu parar por aqui, porque isto já parece uma boa pauta para um artigo.
    Grande abraço.

    • Sidemar disse:

      Você não deixa de ter razão, César. Eu deveria ter dito “uma das mais longevas…”. Mas na verdade eu quis dizer que a coleção é a mais antiga antologia de histórias originais em atividade. Li essa afirmação, se não me engano, na coluna do Causo, no Terra Magazine.

  2. Amanda Reznor disse:

    Puxa, Sid, essa matéria que você fez pro Fantasticon ficou muito legal, e eu acabei só descobrindo agora! rsrs

    Espero que logo haja novos encontros com a presença massiva dos autores e leitores, pois, apesar de corrido, foi um final de semana memorável!

    O próximo evento agitado com data certa é o lançamento simultâneo da Estronho e da Tarja, dia 10/12 no Píer 1327… Veja se consegue dar um pulinho por lá ^^

    Bjs,
    Amanda Reznor

    • Sidemar disse:

      Bem que eu gostaria, Amanda, mas só poderei ir no sábado seguinte, quando será lançada A Batalha dos Deuses, primeira antologia da Novo Século, organizada pelo Juliano Sasseron. Minha noveleta “Raganarök” abre o livro, que conta com 9 outras. Veja matéria mais acima… Será na livraria Martins Fontes da Paulista, a partir das 19horas. Espero contar com sua presença! Bjs, Sid

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