OS MUNDOS DE DIESELPUNK

 OU

DIESEL… É PUNK!

Antologia retrofuturista desenvolve múltiplas sociedades alternativas no passado, especulando a partir da tecnologia do motor a explosão

Uma vez completa a leitura das quase 400 páginas da segunda antologia da série “punk” da Editora Draco, “Dieselpunk – Arquivos confidenciais de uma bela época” (a primeira foi “Vaporpunk”, e a próxima será “Solarpunk”, em 2012) percebemos que as nove noveletas que a compõem formam um mix de temas tão diferentes entre si no estilo quanto na ideologia.

As sociedades alternativas que dominam o Brasil e o mundo nesse passado que não foi, mas talvez tenha sido, em algum lugar no Multiverso (segundo a Teoria M) – retratam um espectro político que vai da opressão de uma ditadura stalinista até uma sociedade com uma esquerda utópica e “politicamente correta”. Entre estas visões políticas polarizadas, temos histórias com sociedades mais convencionais do tipo dominante no gênero retrofuturista, particularmente o steampunk, como monarquias imperialistas, seja elas brasileira, portuguesa ou francesa; mas também há lugar para repúblicas com estágios diferentes de desenvolvimento ou corrupção, no Brasil ou algum lugar imaginário. As tecnologias do motor à explosão extrapolam em suas páginas de simples máquinas a diesel até robôs gigantes, locomotivas voadoras e homens-foguetes no melhor estilo Rocketeer, entre outras traquitanas e armamentos variados.

Essa talvez seja uma vantagem que o dieselpunk tenha sobre seu antecessor cronológico, o steampunk: quanto mais no “futuro”, ou mais próximo de nossa época, maiores e mais rápidas são as transformações científicas, políticas e sociais do mundo. Enquanto a percepção dos anos 60 a 90 do século XIX são até certo ponto bem semelhantes entre si, as mesmas décadas no XX possuem características mais marcantes, tanto sociais e políticas quanto tecnológicas. As mudanças em uma sociedade, que antes demandavam meio século ou mais para acontecer, agora não levam mais de uma década, poucos anos até. Para nós, contemporâneos do século XXI, cada década recentemente passada tem seu estilo, moda, ideologia, cultura; “anos dourados”, “anos rebeldes”, cada década tem sua própria identidade.

Já foi dito que a ficção científica só se tornou possível como literatura (e outras mídias) por que passamos a viver em um mundo em que era possível ver e sentir as transformações acontecendo no decurso de uma vida e assim especular sobre as futuras mudanças provocadas pelo desenvolvimento das ciências, economia e política nos costumes e seu impacto na humanidade: processos industriais, bens de consumo, legislação social, direitos civis, revolução sexual, emancipação das mulheres e minorias étnicas entre outros.

Assim, enquanto o steampunk é geralmente focado numa sociedade vitoriana, imperialista, ainda na primeira fase da Revolução Industrial (mesmo que com extrapolações fictícias), seu derivado imediato, o dieselpunk, tem uma maior flexibilidade política, variação ideológica e de costumes. Isso se revela nitidamente na leitura das duas antologias, a “Vaporpunk” e a atual. E deverá ser ainda mais, suponho, na próxima da série, “Solarpunk”.

As técnicas e o estilo utilizados pelos autores para contar suas histórias também variam muito. As referências vão desde a literatura pulp até a mainstream, dos quadrinhos ao cinema. Os protagonistas são tanto herois movidos por idealismo quanto por propósitos pouco nobres.

Um ponto a destacar nesta antologia (assim como na anterior) é o excelente projeto gráfico desenvolvido pelo editor Erick Sama, da Draco. Um cuidado que vai desde a escolha das fontes até as ilustrações da capa, diagramação interna e tratamento das fotos, tudo no melhor estilo art decô, evocando a Belle Epoque. E não, a fonte do título não é inspirada na arte de Bioshock, como algum apressado poderia pensar – apenas, ambas as artes beberam na mesma fonte óbvia: o estilo visual que definiu uma época. Uma bela época, mas que abriu caminho para extremos de violência, ideologia e sacrifícios.

AS NOVELETAS

“Fúria do Escorpião Azul”, de Carlos Orsi,

A antologia abre com uma aventura no melhor estilo pulp de herois mascarados combatendo a opressão com artefatos tecnológicos. O que chama a atenção na noveleta é a ambientação: a aventura se passa num Brasil dominado por uma ditadura stalinista, sob forte influência soviética (talvez um regime nascido de uma bem sucedida Intentona – ou Revolução Comunista). Fora o background político, a trama segue os cânones do gênero, com o heroi mascarado surgindo nos momentos decisivos e aplicando sua própria justiça, feito um Sombra, Besouro Verde ou Spider (o “Aranha”, heroi esquecido que teria influenciado na criação de Batman) nascidos nas páginas das revistas de “ficção de polpa” ou nas antigas radionovelas. O personagem e o universo criado por Carlos Orsi são fortemente característicos, e espero que novas aventuras do Escorpião Azul possam ser contadas. Afinal, ele deixou uma guerra de libertação em aberto.

“Grande G”, de Tibor Moricz.

Destoando do caráter luso-brasileiro das demais noveletas (mas que o organizador não proibiu enfaticamente, embora declarada a preferência lusobrasileira), a história se passa em dois ambientes distintos e anglófonos: Steam City (Cidade do Vapor) e Smoke City (Cidade da Fumaça), ambas rivais e, claro, representações dos subgêneros steampunk e dieselpunk. Mas o nome ideal não deveria ser Oil City, ao invés de Smoke City?… Afinal, vapor também faz fumaça… aliás, muita fumaça! Mas nomes à parte, a noveleta foi desenvolvida no característico tom de fábula de FC do autor (como em “Cibermetarrealidade”, na antologia Contos Imediatos, da editora Terracota, ou no romance “O Peregrino”, da Draco), sem poupar generosas doses de sexo, sadismo e incesto, entre otras cositas más. Tibor exibe sem pudores e com um humor bem negro a luta pelo poder entre os herdeiros do Grande G do título, magnata que governa com mão de ferro Smoke City. Parece uma narrativa bem apropriada para uma HQ retrofuturista da revista Heavy Metal (Metal Hurlant para os franceses) e ficaria bem no traço de um Moebius ou Kaza. Ou talvez de um Manara, mais afeito ao erotismo. Se nessa antologia retrô foi assim, imagino como Tibor irá se superar na “Erotica Phantastica”, que Gerson Lodi-Ribeiro organiza até o fim do ano…

“O dia em que Virgulino cortou o rabo da cobra sem fim com o chuço excomungado”, de Octavio Aragão.

Título arretado e história idem. Imagine um confronto entre a Coluna Prestes, o lendário grupo de revolucionários tenentistas dos anos 20 e as tropas do capitão Virgulino Ferreira, o igualmente célebre Lampião – fato que quase aconteceu – mas incrementado com armamento de ponta futurista. Com perfeita recriação de época, ambientação e credibilidade na trama, a noveleta tem um desfecho clássico e surpreendente (e fico por aqui para evitar spoilers), para quem conhece o trabalho do autor na série de viajantes do tempo brasileira, Intempol. Por falar nela, Octavio Aragão está às voltas novamente com sua cria, com uma nova versão em quadrinhos prestes a ser lançada pelo novo selo de HQs da Draco: “Para Tudo Se Acabar na Quarta-feira”, com desenhos de Manoel Ricardo.

“Impávido colosso”, de Hugo Vera

Esta é a mais steam, na forma, das histórias desta antologia dieselpunk. O Império do Brasil, em pleno século XX, aliado ao Paraguai, está em plena guerra com a Argentina (armada pelos ingleses), o que torna muito fácil para que lado torcer. Principalmente por que uma das heroinas é certa Clarice Riquelme, uma voluptuosa, sensual e esperta espiã paraguaia. Claro que o fato da personagem ter sido inspirada numa celebridade momentânea da última copa (Larissa Riquelme), pode tornar a referência datada. Mas isso não importa tanto. Abundam na literatura personagens fictícios inspirados em figuras hoje esquecidas. Afinal, o que importará mais adiante não é o que a musa inspiradora foi, mas sim o uso que um escritor fez dela, o que de certa forma a imortaliza. Por outro lado, como vi posts do autor junto a algumas panicats (para quem não está acostumado com uma programação de alto nível cultural, aquelas garotas de poucas roupas e muitos atributos do programa Pânico, da Rede TV), imagino que já terá inspiração para futuros personagens em seus próximos trabalhos…

Mas voltando à história, o Império do Brasil (governado por Dom Pedro III) é invadido por hostes de mecanóides argentinos, robôs a óleo que nada pode deter. Exceto um robô gigante, verdadeiro “mecha”, pilotado por um descendente do Barão de Mauá e desenvolvido por ninguém menos que o próprio Rudolf Diesel, o inventor já velhinho da tecnologia que leva seu nome. Cuidem-se, hermanos…

“Pais da aviação”, de Gerson Lodi-Ribeiro.

Mais uma noveleta de história alternativa clássica em sua forma (quando um ponto de divergência diferencia o desenvolvimento histórico conhecido por nós), do que um conto puramente dieselpunk. Nesse mundo, ao contrário do nosso, Napoleão Bonaparte arriscou no uso pioneiro da navegação a vapor, oferecida pelo americano Fulton (em nossa realidade ele recusou), o que garantiu sua vitória sobre os britânicos em Trafalgar. Nesse caso, a invasão napoleônica das monarquias ibéricas não levou à independência da América Latina, mas à sua incorporação ao Império francês, a Hegemonia, Brasil incluso.

Tudo começa com os irmãos Wright (os inventores americanos do avião) oferecendo seu aeroplano aos franceses, só para descobrir que certo le Petit Santos já dotou o Império com seus próprios mais pesados que o ar, os quais dispensam uma catapulta de lançamento, ao contrário do veículo ianque. Uma doce vingança literária contra a primazia aeronáutica americana, sempre decantada na ficção científica deles, tal como aquela irritante abertura de “Star Trek: Enterprise”, em que ao navio a vapor sucede o avião dos irmãos Wright…

A história nos leva a seguir para um combate, este já em época diesel, digamos assim, entre batalhões compostos por brasileiros (membros do Império Francês) contra revoltosos peruanos, com direito a bombardeios e gases mortais. Assim como outras histórias de Gerson (em que outros Brasis convivem com uma República Palmarina e uma Nova Holanda), este universo da Hegemonia Européia possui uma riqueza própria que espero ver novamente.

“Ao perdedor, as baratas”, de Antonio Luiz M. C. Costa

A noveleta do colunista de política internacional da revista Carta Capital desenvolve-se num Brasil republicano, com forte presença indígena, e onde personagens da história e da literatura cruzam destinos. Pertencente ao mesmo universo dos “Outros 500”, do conto “A Flor do Estrume”, incluído na coletânea “Steampunk” da Tarja Editorial, a trama se passa cerca de 70 anos depois. O protagonista é um agente secreto de um grande império capitalista do Norte (uma Holanda Americana, que aparentemente toma o lugar dos Estados Unidos – lembremo-nos de que Nova York nasceu como Nova Amsterdam) e tenta interferir nas eleições brasileiras. Personagens reais como Francisco de Lima e Silva contracenam com fictícios de Oswald de Andrade e Ariano Suassuna, assim como… a barata gigante de Kafka. Ou pelo menos, uma versão FC dela.

“Ao perdedor, as baratas” é uma história com fundo político socialista, com a ameaça do “imperialismo capitalista” representado pelo vilão batavo, Robbert, o protagonista da história. Ideologicamente, digamos que a noveleta de Antonio Luiz está para a revista Carta Capital, como “Fúria do Escorpião Azul”, de Carlos Orsi, estaria para a Veja… O que, no mínimo, demonstra o caráter bem democrático de “Dieselpunk”.

“Auto do extermínio”, de Cirilo Lemos

Literariamente uma das mais bem escritas histórias da antologia, “Auto do extermínio” se passa no contexto das lutas ideológicas entre comunistas e integralistas do Brasil dos anos 20, de um Império que sobrevive com um caquético Dom Pedro III (outro!), na iminência de um golpe de estado. E como na minha história, também tem um Vargas primeiro-ministro, mas bem diferente. Personagens bem interessantes e construídos, como Joana, uma agente secreto tentando salvar o Império, Jerônimo Trovão, um matador de aluguel assombrado pela presença de uma Santa conselheira que só ele enxerga – enquanto seu filho, Nômio, tem a companhia de um heroi igualmente invisível de revista pulp, o Democrata (nenhuma alusão política recente, que eu saiba…). Em meio a tudo isso, articula-se um golpe, com apoio americano. Outros elementos fantásticos que compõem a noveleta são um clone do imperador, um robô cilindróide e um fuzileiro ciborg, compondo um quadro quase weird.

“Cobra de fogo”, de Sid Castro

Minha própria noveleta. Como é um tanto imparcial falar do próprio trabalho, emprestei palavras de outras duas resenhas, comentando-as. Claro que isso tornou esse bloco desproporcionalmente maior que os outros…

A primeiro foi feita pelo Antonio Luiz M. C. Costa em sua coluna, aqui. [A história] “põe em jogo um D. Pedro III pela terceira vez nesta coletânea e Getúlio Vargas retorna como primeiro-ministro, mas de resto é bem original. Talvez seja a noveleta mais divertida da coletânea. Com certeza é a mais hábil no uso inteligente e criativo de clichês.” [Usei e abusei de situações clichês da literatura pulp, das HQs e do cinema. Quanto a Dom Pedro III (de novo!), imaginei outro nome a princípio, mas por motivos vários que cabem aqui, aceitei a sugestão de nosso organizador [juro que não sabia que os outros imperadores tinham o mesmo nome…], que certamente se divertiu maquiavelicamente em ter versões bem distintas do mesmo monarca em três noveletas diferentes…]

“Nesta versão do século XX, houve uma Guerra Mundial de 1919 a 1929 que acabou com uma troca de bombas atômicas. Depois disso, uma Liga das Nações impôs uma “Pax Atomica” na qual os conflitos internacionais serão decididos de maneira supostamente esportiva, com corridas pelos quatro cantos do mundo entre locomotivas voadoras do tamanho de destróieres”. [Confesso que foi muito divertido (e trabalhoso!) criar os nomes das supermáquinas para cada potência, como a Charlemagne para a França, a General Lee americana, a Yamato japonesa, a Potemkin russa etc…]

“Trata-se de uma Corrida Mundial pela Amazônia. Alemanha, Áustria-Hungria (governada por Hitler), União Soviética (liderada por Trotsky), Japão, China, Estados Confederados (o sul venceu a Guerra Civil), Reino Unido [na verdade, República Britânica], França, Holanda e outros países pretendem disputá-la e o Brasil e seus vizinhos querem conservá-la. O clichê hollywoodiano da “Corrida Maluca” cheia de truques sujos, popular de “A Corrida do Século” de Blake Edwards ao “Speed Racer” dos irmãos Wachowski, é levado aqui a um extremo insuperável e isso é só o começo da diversão, especialmente para os cinéfilos.” [Speed Racer foi uma das principais fontes para a noveleta, sem dúvida. Mas o anime japonês, não aquele filme estranho dos irmãos Wachowski…]

“A corrida parte de Casablanca, com direito a uma noite no Rico’s Café ouvindo “As Time Goes By”. Citações e alusões a filmes famosos pipocam de surpresa a cada página, de “Stalker” de Tarkovsky ao “Apocalypse Now” de Coppola, com batalhas entre Dragões (voadores) da Independência, samurais e caubóis. [“Stalker”, o filme, mas principalmente o livro, dos russos Arkadi e Boris Strugatsky, homenageados em dois personagens.]

“A trama, por rocambolesca que seja, faz sentido e os personagens ficcionais e históricos se misturam muito bem, todos com vida e personalidade. Vale notar a participação de Olga Benário e Erwin Rommel pela Alemanha, Charles Lindbergh e Jesse James III pelos Confederados, Antoine Saint-Éxupery e Charles de Gaulle pela França e Amon Göth, o vilão de “A Lista de Schindler” pela Áustria-Hungria, além dos protagonistas brasileiros. [Com dor no coração cortei muitos outros personagens…]

“É a noveleta mais cinematográfica em todos os sentidos, a mais digna de virar uma superprodução hollywoodiana.”

Uau! Mas receio que jamais verei esse filme… Porém, uma versão em quadrinhos é mais factível. Foi a sugestão do escritor Romeu Martins em seu blog “Cidade Phantastica” aqui , autor do conto de mesmo nome publicado em “Steampunk – Histórias de um Passado Extraordinário”, da editora Tarja. Aliás, revelei a ele uma curiosidade. Quase todos os personagens tem nomes referentes de uma maneira ou outra, como o mitológico Dâmocles, os Vultani (tirado do vilão do antigo seriado “O Homem Foguete”) e com consoantes dobradas, como nas HQs da Era Clássica. Já o mecânico JD (João Diesel), confessadamente inspirado no Sparky do Speed Racer, não conseguia um nome que me agradasse. Até que lembrei do antológico João Fumaça de Cidade Phantástica… e voilá.   Segundo ele: “A penúltima noveleta é a terceira a contar com um D. Pedro III em todo o livro, dando conta de como histórias sobre impérios brasileiros alternativos fazem mesmo parte do imaginário de nossos escritores. “Cobra de Fogo”, do editor gráfico de São Paulo [Catanduva] Sid Castro, é a história mais empolgante e divertida do livro e a que melhor emprega as possibilidades do gênero quando se pensa no básico do dieselpunk: enormes veículos movidos a óleo diesel em um mundo vagamente semelhante ao do início do século XX. O autor oferece exatamente isso, uma corrida maluca entre gigantescas locomotivas que correm fora de trilhos, por terra, céu e mar, se preciso for. Na disputa, que ocorre em torno do globo, a posse territorial da Amazônia.

Sid Castro criou uma história que é bastante leve, mas sem descuidar em nenhum momento na motivação dos personagens e na dos países e impérios que eles representam. Por trás de cada um dos pilotos incríveis e de suas máquinas extraordinárias – às vezes até mesmo na ambientação e nos intertítulos engraçadinhos –, um festival de referências, quase sempre cinematográficas, aguarda os leitores. Vamos unir agora dois fatos. Primeiro: na lista de antigas atividades do autor publicada ao final do livro estão incluídas as de ex-chargista [resolvi resgatar atividade nesta matéria e espero que os autores não se sintam ofendidos…] e de ex-quadrinista (ele produziu roteiros e desenhos para revistas nacionais como Calafrio e Mestres do Terror); e segundo: a Draco vai estrear brevemente um selo dedicado às HQs com um álbum do citado Octavio Aragão e sua Intempol. Fica aqui uma sugestão, pois seria ótimo ver as locomotivas M’Boitatá, do Império do Brazil, General Lee, do Estados Confederados da América, Potenkim, da União Soviética, Yamato, do Japão, e todas as outras em uma graphic novel com o selo do dragão na capa. [Ha-ham!… Erick?… ]

“Só a morte te resgata”, de Jorge Candeias

Fechando com classe, a única contribuição portuguesa nesta antologia (“Vaporpunk” teve três) parece ter tido seu texto convertido ao “português brasileiro”, muito embora seja possível sentir o sabor lusitano da narrativa. Li essa noveleta logo após a releitura de “Unidade em chamas”, do livro acima citado, já que ambas são do mesmo universo, em épocas distintas. Puxando a “sardinha” para seu país, Jorge Candeias imaginou um Portugal que retornou aos tempos de superpotência, graças ao desenvolvimento da “Passarola”, dirigível de guerra criado pela tecnologia steamer do brasileiro padre Gusmão. No primeiro conto, o protagonista era um jovem aeronauta português, às voltas com um multiétnico império luso; desta feita, em “Só a morte te resgata”, a narrativa centra-se em um brasileiro sulista, Jeferson, traidor da Confederação Lusitana (da qual o Brasil faz parte), lutando pelas potências européias do norte, devido a seu caráter racista. As passarolas foram substituídas por albatrozes, sua versão diesel, em combates aéreos nos desertos africanos. Abatido, Jeferson inicia um longo percurso de volta à sua casa e seu destino incerto.

Ambas as noveletas poderiam ser excertos de uma novela maior, tantos são os detalhes cuidadosos na criação do ambiente e a rica psicologia dos personagens, o que se faz em certo detrimento da ação, mas com um bom equilíbrio entre as partes. O resultado final é um universo bastante crível e consistente, que certamente dará origem a novas histórias, ou talvez mesmo um romance.

10 respostas para

  1. Gerson disse:

    Bela resenha, Sid! Com direito, inclusive, a charges inspiradas!

  2. Tibor Moricz disse:

    Obrigado pela resenha positiva, Sid.🙂

  3. Cirilo S. Lemos disse:

    Grande Sid. O Democrata na verdade é uma homenagem (?) aos super-heróis das HQs da época da Segunda Guerra. Era uma dupla originalmente, Democrata e sua sidekick Republicana, alusão ao dois partidos americanos, mas não achei espaço para colocar os dois na história. Abração.😉

  4. Antonio Luiz disse:

    Falando em super-heróis e em Escorpião Azul x Barata de Kafka, eis aqui a versão portuguesa dessa batalha épica:

    Mais sobre “Capitão Falcão. O herói que come comunistas ao pequeno-almoço”

    http://www.ionline.pt/conteudo/148077-capitao-falcao-o-heroi-que-come-comunistas-ao-pequeno-almoco

  5. Romeu Martins disse:

    Era São Paulo o estado, não a capital😉 Fiquei honrado em saber do parentesco de nosso joões e quero muito ver essa graphic novel com direito a todos os personagens que tiveram que ser cortados na versão literária. Abraço!

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