DATA

Quadrinhos nacionais comemoram 145 anos

Personagem brasileiro pode ser pioneiro mundial,

 anterior mesmo aos americanos

 imagem_quadrinhos

 

Pouca gente sabe, mas os quadrinhos, uma das mídias mais ligadas ao século XX, na verdade foi criado nas décadas finais do século do vapor e da Revolução Industrial, o XIX. Muitos, menos ainda, sabem que o quadrinho nacional é até mesmo anterior ao americano, tradicionalmente o país onde essa arte se estabeleceu como verdadeira indústria de massa, e que agora se tornou base criativa para diversas produções do cinema – particularmente filmes de super-heróis. No Brasil, o Dia do Quadrinho Nacional é comemorado em 30 de janeiro, mas eventos diversos acontecem em todo o país durante a semana atual.

As Aventuras de Nhô Quim ou Impressões de uma Viagem à Corte, foi publicado pela primeira vez em 1869, na revista Vida Fluminense, no Rio de Janeiro, a então capital do Império. Com desenhos do chargista italiano naturalizado brasileiro Angelo Agostini, é considerada a primeira aparição de um personagem fixo de quadrinhos no Brasil. A data foi instituída como Dia Nacional das Histórias em Quadrinhos pela Associação de Quadrinistas e Cartunistas do Estado de São Paulo (AQC-SP), entidade paulista que congrega chargistas, desenhistas e roteiristas de quadrinhos do Estado. Assim, dia 30 marcou os 145 anos da produção nacional de histórias em quadrinhos.

Curiosamente, durante muito tempo a americana The Yellow Kid (O Garoto Amarelo), de Richard Outcalt. foi considerada a primeira história em quadrinhos do mundo. Sua estreia oficial aconteceu no jornal New York World, em 1895. Portanto, a criação brasileira bate de longe o pioneirismo do personagem americano, que agora nomeia o prêmio Yellow Kid, o “Oscar” dos quadrinhos.

As Aventuras de Nhô Quim contava as histórias de um caipira que se mudava para o Rio de Janeiro, expondo os contrastes entre os costumes da época, entre o rural e o urbano, o plebeu e o nobre, o escravo e o livre, fazendo crítica social bem humorada, um fato que se tornaria uma tradição entre os cartunistas brasileiros, ao longo dos anos.

Mesmo assim, sempre foi difícil a manutenção de uma indústria de quadrinhos no país. A exceção é representada pela produção de quadrinhos, animações e merchandising criada por Maurício de Sousa, com sua Turma da Mônica, desde os anos 60. Fora ele, a produção nacional passou por altos e baixos em seus mais diversos gêneros, que chegou a ser a principal produtora de quadrinhos Disney do mundo, no final do século passado.

Com todas as dificuldades de um mercado colonizado culturalmente, todos os gêneros foram produzidos no Brasil, do infantil ao humor adulto, do ‘faroeste feijoada’ aos super-heróis nacionais, como Raio Negro e O Judoka. Um dos gêneros mais bem sucedidos sempre foi o terror, graças ao fato de que nos Estados Unidos, essa vertente chegou a ser censurado durante o McCarthismo, nos anos 50, abrindo uma lacuna para o surgimento de dezenas de revistas nacionais como Terror Negro, O Lobisomem, Spektro, Calafrio e Mestres do Terror, entre outras.

Hoje, além da produção independente e de graphic novels, vendidas em livrarias, atraindo um público mais sofisticado, boa parte da produção nacional passou a utilizar os recursos da internet, nas chamadas webcomics, cujo maior representante foi Combo Rangers, de Fábio Yabu.

Apesar de seus 145 anos, os quadrinhos brasileiros ainda buscam um lugar ao sol, com boa parte de seus melhores desenhistas trabalhando nos mercados americano e europeu.

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