THE KING

 Jack Kirby

Criador de boa parte da Marvel, junto com Stan Lee, e de muito da DC, desenhista é um desconhecido fora das HQs em seu centenário de nascimento

Jack-Kirby

Todo mundo, até quem não lê quadrinhos, sabe quem é Stan Lee. O nonagenário criador dos maiores super-heróis da Marvel aparece em pontas em todo e qualquer filme do estúdio (e de outras produtoras), sem contar que a presença constante na TV e imprensa. Mas poucos, fora dos leitores de quadrinhos, sabem quem foi Jack “The King” Kirby, o desenhista e roteirista que, junto com Lee, criou nos anos 60 o sucesso da Marvel. Antes até da Segunda Guerra, em que foi lutar, Kirby já era um autor consagrado e havia desenhado o Capitão América junto com Joe Simon. Jack Kirby completaria 100 anos (morreu em 1994) dia 28 de agosto de 2017 e uma série de homenagens e republicações, além de livros e documentários, lembrarão sua contribuição para os quadrinhos, além da influência no cinema, como confirmado por John Cameron (Aliens e Avatar).
Boa parte disso se deve ao famoso ‘método Marvel’: Stan Lee escrevia apenas uma sinopse do conceito e história de cada um dos personagens que a dupla criou no início dos tempos heróicos da editora – quando a editora ainda não era a Marvel, nos anos 60. O suor cabia a Jack Kirby, que preenchia mais de 30 páginas com o argumento das histórias (foi ele quem criou o Surfista Prateado, por exemplo, numa HQ do Quarteto Fantástico) sem contar os desenhos. Lee então acrescentava os textos e diálogos finais. Kirby passou a se ressentir que todos os créditos na criação de Homem de Ferro, Quarteto Fantástico, Hulk, Thor, Vingadores e muitos outros, não fossem divididos com ele. O mesmo aconteceu com o desenhista Steve Ditko, cocriador com Stan Lee do Homem-Aranha e Doutor Estranho. Ambos tiveram as relações com Stan abaladas.

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Jack Kirby estabeleceu boa parte dos alicerces da Marvel, com Stan Lee

Jack Kirby se bandeou então para a Distinta Concorrência (a DC Comics) onde mostrou seu talento, não apenas como desenhista, mas criador, concebendo inúmeros heróis, vilões e mundos que até hoje a empresa da Warner utiliza, principalmente nos filmes para cinema e TV. Kirby acrescentou ao legado do Super-Homem toda uma série de conceitos e personagens como o vilão Darkseid, Apokolips, o Projeto Cadmus, Guardião e Mr. Miracle, além dos Novos Deuses e O Quarto Mundo, entre muitas outras criações.

 

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Darkseid enfrenta os Novos Deuses: a DC também lhe deve alguns mundos e ícones

Conta a lenda que ainda antes dos EUA entrar na Segunda Guerra, Jack Kirby criou a famosa capa de Capitão América 1, em que o supersoldado esmurrava ninguém menos que Adolf Hitler.

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Capitão América 1, engajado antes dos USA entrarem na II Guerra Mundial

Alguns membros do Partido Nazista Americano (o maior do mundo fora da Alemanha) não gostaram nada e teriam ido à sede da editora, em Nova York, tirar satisfação com o judeu responsável pela ofensa (o nome verdadeiro dele era Jacob Kurtzberg, filho de imigrantes austríacos). Criado num gueto pobre barra pesada de Nova York dominado por gangues, Kirby não teve dúvidas: foi ao encontro dos nazistas e partiu para o ‘pau’ em cima deles. Posteriormente, foi lutar de verdade na Segunda Guerra.

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O estilo épico e detalhado do desenho de Jack Kirby influenciou todas as gerações seguintes de desenhistas, inclusive a mim, que não me cansava de tentar imitar suas cenas espaciais impactantes, com sua iluminação dramática e estilizada, maior que a vida. Em plenos 60, sem recursos de ilustração digital, Kirby criava verdadeiros ‘efeitos especiais’ com o uso de traços e retículas, sendo um mestre na concepção de fabulosas visões tecnológicas e cenários alienígenas nunca vistos em páginas panorâmicas.

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Após anos de litígio na justiça americana, em processo movido pelos filhos, o ‘Rei’ teve o reconhecimento de seu nome como cocriador, constando nas publicações e filmes.
Uma série de homenagens e republicações tem sido feitas em todo o mundo para prestar a justa homenagem a Jack ‘The King’ Kirby.

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Os guetos novaiorquinos em que o garoto Jack Kirby cresceu: o traço capaz de transformar uma cena urbana típica num épico grandioso

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