Livro

15 de junho de 2014

       HISTÓRIAS FANTÁSTICAS DE FUTEBOL

Antologia da editora Draco aborda o esporte em contos que transitam do sobrenatural à ficção científica

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Em plena época de Copa do Mundo no Brasil, não são poucos os livros lançados abordando o tema, a maioria com caráter jornalístico. Mas também há quadrinhos e games, embora quase nada de filmes, exceto na televisão, como série Copa do Caos, da MTV, agora exibida na Cultura.

Uma exceção em livro, na categoria literatura, é a antologia “Futebol: histórias fantásticas de glória, paixão e vitórias”, da Editora Draco, de São Paulo, lançada esta semana em formato ebook, nos sites da Amazon e Livraria Cultura, e nas próximas semanas como impresso. A antologia é composta por dez contos, abordando o futebol de forma fictícia, com histórias nos mais diversos gêneros do fantástico. Não importa se os jogadores são artificiais, fantasmas, demônios ou simples mortais, o livro mostra que no mundo do futebol não há discriminação. Boleiros que vivem em nossa imaginação entram em campo para mostrar que futebol e literatura fantástica formam uma combinação de placa. Os contos foram escolhidos através de um concurso dentre concorrentes de todo o Brasil, ano passado, esperando a época da Copa para o lançamento. Um dos contos escolhidos, “O Rei do Futebol”, do autor desta coluna, tem como cenário épocas e personagens fictícios e reais do futebol brasileiro: alternautas, espécie de viajantes do tempo e do espaço, revivem realidades diferentes, usando como foco as grandes concentrações mundiais provocadas pelas Copas do Mundo e seu impacto sobre a sociedade. Um jornalista de um outro Brasil, ainda monárquico, nos anos 40, onde não existiu uma Segunda Guerra, faz a cobertura do último jogo de Friedenreich, o mítico primeiro “rei do futebol” brasileiro – um mestiço de uma negra com um alemão, que enfrenta a poderosa seleção nazista do Terceiro Reich. Mas o repórter também é jogado, à sua revelia, num Brasil diferente, menos tolerante e violento, com novo “rei do futebol” – este o mais famoso, o rei Pelé, em plena ditadura, durante a Copa de 70.

Segundo Erick Sama, publisher da Editora Draco, o livro fala “sobre o esporte mais amado do mundo, com aquele tempero que só os brasileiros sabem dar. São dez histórias recheadas de dribles elásticos, craques sobrenaturais, peladas mágicas no campinho da infância e grandes clássicos pelo destino da humanidade, onde pôr a bola na rede pode ser a única forma de salvar a própria alma. Idealizada e escrita por autores fanáticos, prepare-se para verdadeiras batalhas dentro das quatro linhas”.

A seleção dos textos foi organizada pelo escritor Marco Rigobelli, e é composta pelos contos: “Pátria de chuteiras”, de Gerson Lodi-Ribeiro (Rio de Janeiro); “2010 – O ano em que faremos contrato”, de Fábio Fernandes (São Paulo); “Sob o signo de Xoth”, de Carlos Orsi (Jundiaí – SP), “Boost”, de Vinícius Lisboa (Rio de Janeiro); “O último craque”, de Marcel Breton (Belo Horizonte – MG); “Jogo puro”, de Diego Matioli (São Paulo); “O último gol de Tião Canhoto”, de Fabio Baptista (Campos – RJ); “O rei do futebol”, de Sid Castro (Catanduva); “O último jogo”, de Rodrigo van Kampen (Campinas – SP) e “Nos gramados em cinzas da Arena do Abismo”, de Marco Rigobelli (São Paulo).

E quem disse que futebol não dá margem à ficção científica? A própria abertura da Copa, no dia 12 último, em São Paulo, teve uma demonstração (tá, meio que boicotada pela Fifa…) de um modelo de exoesqueleto, capaz de, no futuro, fazer um tetraplégico andar, desenvolvida pelo cientista brasileiro Miguel Nicolelis. Muita gente não compreendeu que se trata de uma tecnologia em estudo – ninguém vai sair por aí com um trambolho daqueles, por enquanto. Num futuro que se espera não muito distante, pessoas com deficiência poderão andar, correr e, talvez até jogar futebol com uma “roupa” especial robótica mais desenvolvida. Por enquanto, isso é ficção científica. (texto originalmente publicado na coluna Imagem & Ação, Caderno Cultura, jornal O Regional – Catanduva – SP – 22/06/14)

 


STAR WARS

11 de maio de 2014

Começam as filmagens de Star Wars 7

 

Saga espacial retoma a trilogia original 30 anos depois,

com elenco original

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Star Wars (1977) foi o filme mais lucrativo da história do cinema depois de E O Vento Levou, descontada a inflação. Mudou a indústria e gerou duas trilogias, além de uma série infindável de produtos derivados. A proposta original do autor, George Lucas, previa três trilogias: o Episódio IV (Uma Nova Esperança), V (O Império Contra-Ataca), VI (O Retorno do Jedi), chamados a Trilogia Clássica; Episódio I (A Ameaça Fantasma), II (O Ataque dos Clones) e III (A Vingança dos Sith), a Nova Trilogia. Lucas pretendia mais três filmes passados no ‘futuro’ dos três primeiros, mas ficou apenas na intenção. Com a venda de Star Wars para a Disney, logo se revelou que não apenas os filmes seriam realizados, como também derivados com outros personagens de uma ‘galáxia muito, muito distante’.

Alan Horn, chefão dos estúdios Disney, informou que as filmagens do sétimo filme da franquia terão início dia 14 de maio (quarta-feira) em Abu Dhabi e continuarão até setembro, dando a J. J. Abrams cerca de quinze meses para trabalhar na pós-produção do filme.

Com o elenco praticamente completo, apesar de vários nomes ainda em segredo, a produção gravou cenas de segunda unidade no Cairo, Marrocos e Islândia. As filmagens principais serão nos estúdios Pinewood, no Reino Unido. Quatro meses podem parecer pouco tempo para um filme como Star Wars, mas na pós-produção haverá espaço para re-filmagens e retoques. Afinal, grande parte da maravilha visual de uma série como Star Wars depende de efeitos digitais. Star Wars: Episódio VII chega aos cinemas no dia 18 de dezembro de 2015.

O filme se passa 30 anos depois do O Retorno de Jedi (83), e traz de volta o elenco principal da trilogia original, que reviverão seus personagens: Mark Hamill (Luke Skywalker), Carrie Fisher (Princesa Leia), Harrison Ford (Han Solo), Anthony Daniels (C3PO), Peter Mayhew (Chewbacca) e Kenny Baker (R2D2).

Claro que, bem mais velhos, eles devem ser o fio condutor da nova geração de heróis que serão apresentados: John Boyega (de Ataque ao Prédio), Daisy Ridley (Mr Selfridge), Adam Driver (Girls), Oscar Isaac (Inside Llewyn Davis) e Andy Serkis, que com certeza deverá interpretar alguma criatura exótica, tal como fez Sméagol, em O Senhor dos Anéis, o gorila de King Kong e o símio Caesar, de Planeta dos Macacos: A Origem. Também fazem parte do elenco Domhnall Gleeson (de Harry Potter e As Relíquias da Morte) e, seguindo a tradição de chamar grandes atores britânicos (no original tínhamos Sir Alec Guiness, como o velho Jedi Obi Wan Kenobi), a Disney contratou Max von Sydow (O Exorcista). Adam Driver (Lincoln) seria o novo vilão, talvez como um ‘padawan’ (discípulo) de Sidow, que talvez seja um antigo mestre Sith.

Não se sabem muitos detalhes do roteiro. Daisy Ridley seria a filha de Han e Leia, Boyega um Jedi e Domhnall Gleeson discípulo de Luke Skywalker. Mas tudo pode ser apenas especulação. Outra seria a presença da oscarizada Lupita Nyong’o, de Sete Anos de Escravidão.

Também estão circulando alguns rumores sobre o subtítulo deste novo longa da franquia. Segundo algumas fontes poderia ser The Ancient Fear (algo com ‘O Medo Ancestral’), provável referência aos Sith e seus poderes.

O plano é lançar Star Wars: Episódio VII, Star Wars: Episódio VIII e Star Wars: Episódio IX ao longo de seis anos, intercalados com pelo menos dois spin-offs, que devem contar as origens de certos personagens. Estes filmes derivados estão sendo escritos por um time que inclui Simon Kinberg (roteirista de X-Men: O Confronto Final), o próprio Abrams e Lawrence Kasdan, que escreveu O Império Contra-Ataca, considerado o melhor da série.

Que a Força esteja com eles.


DATA

2 de fevereiro de 2014

Quadrinhos nacionais comemoram 145 anos

Personagem brasileiro pode ser pioneiro mundial,

 anterior mesmo aos americanos

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Pouca gente sabe, mas os quadrinhos, uma das mídias mais ligadas ao século XX, na verdade foi criado nas décadas finais do século do vapor e da Revolução Industrial, o XIX. Muitos, menos ainda, sabem que o quadrinho nacional é até mesmo anterior ao americano, tradicionalmente o país onde essa arte se estabeleceu como verdadeira indústria de massa, e que agora se tornou base criativa para diversas produções do cinema – particularmente filmes de super-heróis. No Brasil, o Dia do Quadrinho Nacional é comemorado em 30 de janeiro, mas eventos diversos acontecem em todo o país durante a semana atual.

As Aventuras de Nhô Quim ou Impressões de uma Viagem à Corte, foi publicado pela primeira vez em 1869, na revista Vida Fluminense, no Rio de Janeiro, a então capital do Império. Com desenhos do chargista italiano naturalizado brasileiro Angelo Agostini, é considerada a primeira aparição de um personagem fixo de quadrinhos no Brasil. A data foi instituída como Dia Nacional das Histórias em Quadrinhos pela Associação de Quadrinistas e Cartunistas do Estado de São Paulo (AQC-SP), entidade paulista que congrega chargistas, desenhistas e roteiristas de quadrinhos do Estado. Assim, dia 30 marcou os 145 anos da produção nacional de histórias em quadrinhos.

Curiosamente, durante muito tempo a americana The Yellow Kid (O Garoto Amarelo), de Richard Outcalt. foi considerada a primeira história em quadrinhos do mundo. Sua estreia oficial aconteceu no jornal New York World, em 1895. Portanto, a criação brasileira bate de longe o pioneirismo do personagem americano, que agora nomeia o prêmio Yellow Kid, o “Oscar” dos quadrinhos.

As Aventuras de Nhô Quim contava as histórias de um caipira que se mudava para o Rio de Janeiro, expondo os contrastes entre os costumes da época, entre o rural e o urbano, o plebeu e o nobre, o escravo e o livre, fazendo crítica social bem humorada, um fato que se tornaria uma tradição entre os cartunistas brasileiros, ao longo dos anos.

Mesmo assim, sempre foi difícil a manutenção de uma indústria de quadrinhos no país. A exceção é representada pela produção de quadrinhos, animações e merchandising criada por Maurício de Sousa, com sua Turma da Mônica, desde os anos 60. Fora ele, a produção nacional passou por altos e baixos em seus mais diversos gêneros, que chegou a ser a principal produtora de quadrinhos Disney do mundo, no final do século passado.

Com todas as dificuldades de um mercado colonizado culturalmente, todos os gêneros foram produzidos no Brasil, do infantil ao humor adulto, do ‘faroeste feijoada’ aos super-heróis nacionais, como Raio Negro e O Judoka. Um dos gêneros mais bem sucedidos sempre foi o terror, graças ao fato de que nos Estados Unidos, essa vertente chegou a ser censurado durante o McCarthismo, nos anos 50, abrindo uma lacuna para o surgimento de dezenas de revistas nacionais como Terror Negro, O Lobisomem, Spektro, Calafrio e Mestres do Terror, entre outras.

Hoje, além da produção independente e de graphic novels, vendidas em livrarias, atraindo um público mais sofisticado, boa parte da produção nacional passou a utilizar os recursos da internet, nas chamadas webcomics, cujo maior representante foi Combo Rangers, de Fábio Yabu.

Apesar de seus 145 anos, os quadrinhos brasileiros ainda buscam um lugar ao sol, com boa parte de seus melhores desenhistas trabalhando nos mercados americano e europeu.


FRANKENSTEIN

26 de janeiro de 2014

O MODERNO PROMETEU

 
Novo filme da clássica história de terror e ficção
é baseada em quadrinho da Darkstorm

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Em estreia mundial na última sexta-feira (24), entrou em cartaz no cine Lumière de Catanduva, a mais recente versão da clássica história da criatura tornada viva por um cientista a partir de cadáveres. Frankenstein: Entre Anjos e Demônios, nome brasileiro meio óbvio para o original I, Frankenstein, é a versão filmada de uma HQ, publicada pela Darkstorm Comics e escrita pelo roteirista e ator americano Kevin Grevioux, mentor da franquia cinematográfica Anjos da Noite. A direção é do roteirista Stuart Beattie, de G.I. Joe e Piratas do Caribe.

Frankenstein é uma novela clássica da literatura mundial, considerada por muitos como a primeira de ficção científica, apesar de seu tom aparente de terror gótico: entende-se FC como o fantástico com explicação na ciência, não no sobrenatural. Frankenstein ou O Moderno Prometeu é a história de um homem criado a partir de partes de cadáveres pelo cientista Viktor Frankenstein; ele ganha vida através de experimentos científicos e é odiado e perseguido pelos seres humanos. A ideia surgiu de maneira incomum, em 1816, quando a jovem inglesa Mary Shelley contava apenas 19 anos. Ela, seu futuro marido, o poeta Percy Shelley e os amigos escritores Lord Byron e John Polidori ficaram confinados vários dias num casarão à beira de um lago gelado na Suíça, devido a um evento extraordinário: naquele ano, a erupção de um vulcão na Indonésia cobriu o mundo de poeira vulcânica, deixando o hemisfério norte do planeta sem verão. Lord Byron propôs então que os quatro escrevessem, cada um, uma história de fantasmas, para passar o tempo. A história de Mary não apenas foi a melhor, como originou o livro em 1818, que acabou transformado em dezenas de filmes, quadrinhos e peças de teatro ao longo de quase dois séculos.

A nova versão, Frankenstein: Entre Anjos e Demônios remete a história para os dias atuais, com a criatura (Aaron Eckhart, o Duas-Caras de Batman – O Cavaleiro das Trevas) no centro de uma disputa entre o reino dos demônios e um exército dos anjos-gárgulas. O argumento concentra-se no fato de que, como foi criado por um ser humano, o monstro não possui alma. Razão pela qual os demônios, liderados por Naberius (Bill Nighy) o caçam com a finalidade de criar um novo exército do mal para dominar o mundo.

Após enterrar seu criador, Viktor Frankenstein (Aden Young), a criatura enfrenta os demônios, mas também desperta o interesse dos anjos-gárgulas, sob o comando de Leonore (Miranda Otto) – especialmente depois de vê-lo matar alguns demônios. Leonore batiza o personagem de “Adam”, fazendo analogia com a criação do primeiro homem.

Recheado de efeitos especiais, ação constante e criaturas digitais, o “monstro” encontra na fictícia cidade de Darkhaven, uma espécie de Gotham, outros mitos da literatura como o Corcunda de Notre Dame, Dr. Jekyll/Mr. Hyde, nem sempre amigáveis. Drácula, por exemplo, é um chefão do crime e o Homem Invisível é seu agente secreto. Dependendo do sucesso das bilheterias, a esperança dos produtores é emplacar I, Frankenstein como uma nova franquia do velho monstro.

Mas embora Frankenstein, O Moderno Prometeu pudesse ser considerado FC, nada mais distante é sua versão quadrinesca. I, Frankenstein, está mais para um super-herói com fator de cura, enfrentando supervilões.


QUADRINHOS

12 de janeiro de 2014

Tintim, um adolescente de 85 anos

 

O popular personagem belga tornou-se octogenário dia 10 de janeiro último, mas ainda tem longa carreira pela frente.
 
 
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Senão pelo longa em animação gráfica produzido por Steven Spielberg em 2011, ou pelos desenhos animados ainda exibidos na televisão, todo mundo conhece o jovem e intrépido repórter com topete ruivo que vive aventuras pelo mundo afora e que, nesta sexta-feira,  completou 85 anos da sua criação. Com o singelo nome de Tintim, começou suas aventuras no suplemento juvenil ‘Le Petit Vingtième’, em 10 de Janeiro de 1929. Tintim e o fiel cãozinho Milu, foram criados pelo então jovem desenhista e roteirista belga George Remi (mais conhecido pelo pseudônimo Hergé), para as páginas de um jornal católico e conservador de língua francesa. Hergé praticamente criou, com seu estilo de desenho, uma nova escola de quadrinhos, ou ‘banda desenhada’ como dito na Europa, hoje conhecida como ‘ligne claire’, linha clara.

Tintim era apresentado por Hergé como um jovem jornalista do Petit Vingtième, enviado à antiga União Soviética onde acaba por se envolver em várias aventuras, destinadas, é claro, a condenar o bolchevismo. Daí e ao longo de mais de vinte obras, transformadas em luxuosos álbuns coloridos de capa dura, o autor levou Tintim para aventuras pelo Oriente e pelo oeste americano, pelos desertos da Arábia às florestas da América do Sul, ou do mar até as montanhas do Tibet, chegando, certa vez, até à Lua antes da Apollo XI. Entre os títulos mais conhecidos estão ‘A Estrela Misteriosa’, ‘Tintim no Tibete’, ‘Tintim no Congo’ e ‘As Sete Bolas de Cristal’, traduzidos em mais de 70 línguas diferentes em cerca de 230 milhões de exemplares vendidos em todo o mundo.

Polêmicas outras não faltaram na carreira de Tintim: o álbum ‘Tintim no Congo’ foi acusado de racista e colonialista, e suas edições posteriores sofreram várias mudanças. Num quadro, Tintim dava aula a um grupo de africanos, e dizia, exibindo um mapa da Bélgica: ‘esse é sea país!”. Anos depois, todas essas referências colonialistas foram cortadas, e a publicação dos primeiros álbuns se dava com a adição de uma nota explicativa sobre o contexto da época em que foi realizado. Hergé não se furtou em reconhecer essa característica: sua defesa foi de que esse era o pensamento corrente da maioria da sociedade belga na época, então uma potência colonialista. Além do que, seu início de carreira ocorreu sob a ocupação nazista da Bélgica.

2014 marcou também os 80 anos de de ‘Os Charutos do Faraó’, publicada em 1934 pela Casterman, editora belga que publica até hoje o eterno jovem repórter. O escritor belga morreu aos 76 anos em 1983, deixando por acabar o livro que se encontrava, na altura, a escrever: ‘Tintim e a Alpha-Art’. No Brasil, todos os 24 álbuns de Tintim foram publicados por diversas editoras, atualmente pela Record. Há planos para a publicação de um novo livro de Tintim pela Casterman até 2052, para evitar que os direitos da obra de Hergé caiam em domínio público.

Em 2011, Peter Jackson (das trilogias O Senhor dos Anéis, O Hobbit) realizou em animação gráfica ‘As Aventuras de Tintim: O Segredo do Licorne’, com produção de Steven Spielberg e planos para uma continuação

Além de um grande museu em Bruxelas, uma das maiores atrações turísticas da Bélgica, outra fonte de recursos com o trabalho de Hergé é a venda de desenhos originais, com valores estimados entre 35.000 e 40.000 euros, o mais caro chegando a 168.900 euros.

Curiosidade final: uma das marcas do trabalho do cineasta Alfred Hitchcock foi fazer pelo menos uma aparição em cada um de seus filmes, tradição que começou em O Inquilino, de 1926. Isso serviu de inspiração para os criadores da série de TV baseada nos álbuns de Tintim, onde o próprio Hergé aparece em praticamente todos os episódios.


O ASTRONAUTA LEITOR

1 de outubro de 2013

Criado para ilustrar camisetas do CLFC (Clube dos Leitores de Ficção Científica),  o estilizado desenho do Astronauta Leitor – que segura um livro tradicional, não um tablet ou congênere – surgiu a partir de sugestões de alguns dos membros da entidade, a mais tradicional e antiga do gênero no país, que congrega leitores, escritores e simpatizantes da ficção científica, fantasia e terror.

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Enquanto a camiseta não se tornava uma realidade (segundo o presidente recém-reeleito do CLFC, Clinton Davisson, em breve estará disponível, numa parceria com a loja Nerdwear), o desenho acabou se tornando ícone ilustrativo do Troféu Argos, nas edições do ano passado e deste.

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Durante alguns meses, foi também discutida a confecção de uma carteirinha do CLFC que, futuramente, poderia servir de identificação para que os sócios obtivessem descontos na compra de livros em eventos, por exemplo, mas que por enquanto tem valor apenas simbólico, embora sua validade esteja restrita a esta galáxia. O presidente nomeou uma pequena equipe de ‘notáveis’ da área do design gráfico que, após exaustivas idas e vindas, chegou a um consenso sobre forma e conteúdo, constantes na frente e no verso. Novamente, o Astronauta Leitor foi chamado para reforçar a iconografia do CLFC.

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A ideia era que todos os sócios recebessem um arquivo gráfico da carteirinha, via e-mail e, com as devidas instruções, os interessados poderiam imprimir a mesma através de algum bureau de impressão, em sua própria localidade. Enquanto essa questão não se resolvia, resolvi fazer minha própria carteirinha e de mais alguns poucos privilegiados.

Durante o Fantasticon 2013, nos famosos encontros etílico-gastronômicos nas mesas da Pastelaria Croc 32, próxima à sede do evento, na Rua Sena Madureira, tive oportunidade de exibir algumas delas, confeccionadas em plástico duro tipo PVC.

Na foto, sócios do CLFC e outros membros da temida comunidade conhecida como ‘Fandoooom’, na pastelaria, planejando os próximos passos da conquista do mundo. No destaque, a recém-eleita tesoureira da nova diretoria, Amanda Reznor.

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LIVRO

10 de setembro de 2013

O Alienado traz maturidade à

Literatura Fantástica brasileira

Primeiro livro solo de Cirilo S. Lemos alia literatura mainstream à cultura pop

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Se há um livro nascido no fandom brasileiro de literatura fantástica – e que, portanto, como a maioria, estaria ‘marcado’ para transitar apenas em um verdadeiro ‘gueto’ cultural – que poderia tranquilamente ser considerado um romance ‘mainstrean’, este é O Alienado, de Cirilo S. Lemos, publicado pela Editora Draco, de São Paulo.

Salvo exceções (raras) que conquistaram algum espaço na mídia graças ao sucesso de vendas, tais como Vianco, Spohr e Draccons afins, a Literatura Fantástica brasileira está relegada à rede de invisibilidade marginal da literatura – se é que a cultura oficial, mainstream, considera-a como literatura. Provavelmente, a vê apenas como leitura de entretenimento, escapismo ou subliteratura, a despeito de quantas obras de valor ou qualidade a literatura de gênero produziu no mundo.

O Alienado não é um livro de fácil leitura para todos, nem mesmo do fandom, mas quem gosta de um excelente texto, entremeado de referências que vão da literatura clássica ao cinema e aos quadrinhos, não irá se decepcionar.

Também não é fácil defini-lo enquanto gênero: por ele há ecos de ficção científica à la 1984, com direito a passagens kafkanianas e quase surreais, quadrinhos com sabor misto de banda desenhada e fanzine do século XX; por outro lado, o leitor, às vezes, parece estar vagando entre um indefinido futuro distópico ou o passado recente dos anos 80, num país fictício ou no regime militar brasileiro.

Em O Alienado, Cirilo tece uma trama em vários níveis de metalinguagem, e isso inclui sequências de histórias em quadrinhos entre capítulos, assinadas por um dos personagens, assim como trechos de um romance escrito por outro. Tudo isso funciona como parte de um todo, compondo um labirinto de fatos e emoções.

A começar pelo herói ou anti-herói, Cosmo Kant. Assim, com nome de filósofo, mas que me lembrou de imediato o de Clarke Kent – talvez seja coincidência, mas tem até o mesmo número de letras. E destacam-se até grandes ‘vilões’, os Metafilósofos, os Grandes Irmãos da Cidade-Centro, que vigiam seus cidadãos na autoritária e decadente metrópole, como num vislumbre de Brazil, o Filme.

Cosmo Kant aparece ainda criança, amigo de Virgílio, que lhe roubava livros e gibis (Superaventuras Marvel, da Abril, era um deles), e que, não por acaso, aparece como sendo o autor das páginas em quadrinhos que permeiam o livro (constando, inclusive, no expediente do livro) – muito embora o desenhista seja o próprio autor, Cirilo, e seus traços pareçam um misto de banda desenhada com o traço ainda ‘duro’ de algum fanzine do final do século XX. O que, aliás, torna tudo mais crível, considerando que o desenhista, nessa jogada de metalinguagem, seria o adolescente Virgílio. Se não foi a intenção, então o Cirilo escreve muito melhor do que desenha…

Cosmo Kant também surge como um operário casado, e se metendo em encrencas com os tais autoritários Metafilósofos, eventualmente sendo ajudado por um misterioso Forasteiro, enquanto tenta escapar das armadilhas do regime e buscar respostas para sua própria condição.

Não é um romance de estrutura linear, e ecoam nele tanto elementos reconhecíveis em quadrinhos da Vertigo, quanto de Borges, Saramago ou Huxley. De filmes como Laranja Mecânica a Matrix e A Origem, entre outros. Mas não é preciso em absoluto conhecer tudo isso para apreciar O Alienado.

Mas quem tiver essa bagagem, terá uma ainda melhor leitura.

SERVIÇO

O Alienado

Autor: Cirilo S. Lemos

 ISBN: 978-85-62942-49-5

 Gênero: Literatura Fantástica/Ficção Científica

 Formato: 14cm x 21cm

 Páginas: 240

 Preço de capa: R$44,90 (papel)

 R$ 19,90 (e-book)

http://editoradraco.com/2012/03/07/o-alienado-cirilo-s-lemos-2/