Glória Sombria

4 de maio de 2013

A PRIMEIRA MISSÃO D­O MATADOR

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Um dos mais prolíficos autores de ficção científica do Brasil, Roberto Causo lança, no próximo dia 9 (quinta-feira) seu novo romance de FC Glória Sombria, estrelado pelo seu seminal personagem Jonas Peregrino, no melhor estilo Perry Rhodan ou Cadete Flandry, de Poul Anderson, mas com um toque brasileiro, e não apenas no nome

Transferido para a Esfera, onde os humanos e membros de diversas raças alienígenas são fustigados por naves-robôs, o Tenente Jonas Peregrino enfrentará não apenas os seus próprios limites, mas as divisões internas dentro das Forças Armadas.

Peregrino era só mais um oficial júnior da Patrulha Colonial no distante século 25. Sua carreira parecia condenada à mediocridade, até que seu talento para o planejamento de operações especiais chamou a atenção do comandante máximo da Esquadra Latinoamericana na Esfera, a maior área em conflito que a humanidade encontrou em seu avanço pelos braços da Via Láctea.

Enquanto os obstáculos se acumulam, é preparada a primeira missão do matador trazido para a Esfera: formar uma nova unidade de elite, os Jaguares, e evacuar um planeta duplo ameaçado de destruição total pelos tadais — alienígenas implacáveis que nunca mostram a sua verdadeira face. Mas como ser um matador, se o inimigo se esconde atrás de enxames de naves-robôs?

Comandados por Jonas Peregrino, os Jaguares partem para Tukmaibakro, o sistema estelar onde eles serão testados até ao limite das suas forças, e de seu senso de dever e honra.

O INÍCIO DE UM ÉPICO DA FICÇÃO CIENTÍFICA

Cronologicamente, Glória Sombria é a primeira aventura de Jonas Peregrino na série As Lições do Matador, que existe como histórias mais curtas, desde 2009. Essas aventuras do personagem, ambientadas num momento posterior da sua trajetória, têm aparecido em antologias de destaque como Futuro Presente (2009), organizada por Nelson de Oliveira; Assembleia Estelar (2010, também pela Devir), organizada por Marcello Branco (2010); e Space Opera II (2012), organizada por Hugo Vera & Larissa Caruso. Há mais histórias no prelo.

Com a Devir, outros romances se seguirão, em um projeto original que aposta na maturidade do mercado para ficção científica brasileira. O próximo lançamento já tem título: Mestre das Marés, programado para 2014.

Glória Sombria e demais histórias de As Lições do Matador fazem parte de um conhecido subgênero da ficção científica, a space opera, um das tradições mais identificadas com o gênero. Basta pensar em Jornada nas Estrelas, Guerra nas Estrelas, Babylon 5, Galactica e outras produções de cinema e TV.

O AUTOR

Roberto de Sousa Causo é autor dos romances A Corrida do Rinoceronte e Anjo de Dor, e das novelas premiadas Terra Verde (III Festival Universitário de Literatura) e O Par (Projeto Nascente 11). Suas histórias de ficção científica e fantasia apareceram em onze países, incluindo Cuba, França, Grécia, Portugal e Rússia. Vive em São Paulo com esposa e um filho. Visite o site do autor em http://robertocauso.com.br

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NOVAS PUBLICAÇÕES 2

20 de janeiro de 2013

NOTÍCIAS DE MARTE – STEAMPUNK II

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Meses atrás havia submetido a noveleta Notícias de Marte à antologia Steampunk II, da Tarja Editorial. Recebi finalmente, nos últimos dias do ano a notícia de sua aprovação, sem modificações, pelo menos nesta primeira fase da publicação. Obviamente um conto steampunk, pertence à mesma linha da noveleta Dieselpunk, Cobra de Fogo, embora num período histórico anterior e sem relação direta. Da mesma forma, mistura personagens e fatos históricos e fictícios.
Num Império ainda poderoso no começo do século XX, o capitão-tenente Andradas, da Armada Imperial, piloto de uma Ave de Rapina, caça do cruzador Amazônia, perde-se no oceano, durante uma missão secreta. Acaba sendo resgatado por outro Amazônia, este um cruzador de uma tal República dos Estados Unidos do Brazil, num futuro não muito distante… mas menos avançado do que sua época steampunk. A bordo, reina a tensão de uma marujada em pé de revolta, sob a chibata dos oficiais, enquanto nos céus brilha o tom avermelhado do disco de Marte, para onde Santos Dumont e o astrônomo exilado Percival Lowell, dos Estados Conferados da América dirigem seus esforços de contato.


NOVAS PUBLICAÇÕES

20 de janeiro de 2013


Após um fim de ano produtivo em matéria de contos, com publicações nas antologias S.O.S. – A Maldição do Titanic (Literata) e Erótica Fantástica (Draco) e É Assim que o Mundo Acaba (Oitoemeio) tive outra excelente notícia nos últimos dias de 2012: minha noveleta Notícias de Marte foi aprovada para publicação em Steampunk II (Tarja).
Embora aparentemente distantes entre si, os contos tem pontos de contato entre si.
Recapitulando:

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S.O.S – A MALDIÇÃO DO TITANIC
Durante a primeira semana do Fantasticon 2012, aconteceu o primeiro lançamento.
Em S.O.S. – A Maldição do Titanic, como autor convidado, apresentei às organizadoras Bruna Caroline e Tatiana Ruiz, o conto Nômades da Névoa. Seguindo as diretrizes da antologia sobre o centenário do malfadado cruzeiro, optei por uma história que segue, em boa parte o tom steampunk, até por que o Titanic, de certa forma simbolizava o fim da Era do Vapor, da Belle Époque e o prenúncio de um novo mundo de guerras. Um pouco weird, Nômades da Névoa se passa a bordo de uma realidade alternativa – ou várias, e tem como protagonistas um cientista – parente ou descendente do Padre Landell de Moura, descobridor brasileiro não reconhecido das telecomunicações e um arrogante homem-peixe de uma raça que habita as profundezas. O destino do Titanic – e do (s) mundo (s) em suas mãos.

ERÓTICA FANTASTICA
Ainda durante o Fantásticon, na segunda semana, outro lançamento: Erótica Fantástica, volume I, pela Draco. Apresentei duas histórias ao editor Gerson Lodi-Ribeiro, com o qual já tive uma bem sucedida (em termos de críticas) noveleta aprovada em Dieselpunk – Cobra de Fogo (em 2011). A primeira história, mais para o erótico, era uma versão mais para o erótico do mito grego de Pigmaleão e sua obra, a estátua viva Galatea (que dá nome ao conto). Não foi aprovado, no entanto. Minha tentativa seguinte, Fêmea Humana, era mais um ficção científica com toques de erotismo, e teve melhor sorte, sendo aprovado com algumas modificações para o primeiro volume.
Podendo ser lido como uma versão subvertida do romance O Guarani, de José de Alencar, tem como protagonistas a bióloga Cecília Costa (Ceci) nativa humana do planeta colônia Tupã é a única sobrevivente de um ataque alienígena à nave científica Amazônia, juntamente com o robô humanóide PR-I (Peri).
Livremente baseada numa história em quadrinhos inédita, o conto lida com as diferenças e semelhanças sexuais de um ponto de vista alienígena (ou robótico), predominando a ação e referências bem brasileiras para uma ficção científica, bem como prega uma parte dos defensores do gênero no Brasil.

É ASSIM QUE O MUNDO ACABA

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Finalmente, em 13.0.0.0.0 ou Gracias Pela Cerveja, lançado no fim de ano, no Rio, na antologia É Assim que o Mundo Acaba, da Oitoemeio, predomina o humor negro sobre um tema que foi bastante explorado por toda a mídia em dezembro. Um escritor de livros sensacionalistas, Fred Falcão, recebe a inesperada visita de um deus maia, Tohill, que o poupa do fim do mundo em plena avenida Paulista. Enquanto se diverte com os restos de uma civilização e algumas cervejas geladas, o escritor tenta descobrir seu destino nesta peça apocalíptica enquanto se recorda dos acontecimentos que o levaram ao país maia algum tempo atrás e que determinaram sua sorte.


É ASSIM QUE O MUNDO ACABA

14 de setembro de 2012

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Fazendo as malas para o Fantasticon 2012 em São Paulo, recebo a boa notícia de que mais um conto meu foi selecionado para uma nova coletânea, “É assim que o mundo acaba”. Curioso é que se trata de minha primeira participação numa editora não pertencente ao “fandon” da literatura fantástica, a Oitoemeio, do Rio de Janeiro.

Mais curioso ainda é que o conto “13.0.0.0.0.” havia sido recusado para outra coletânea, 2013 – Ano Um, da Ornitorrinco, outra pequena editora do fandon.  Como ele tinha prazo de validade, mandei em seguida para outra seletiva que surgiu, a de 2012 – O ano do fim, da Technoprinty e novamente foi recusado. Faz parte.

Mas nunca levei a sério esta conversa de fim do mundo dos maias, por isso o conto era completa e propositalmente de humor. Se fim do mundo pode ser humorístico. Bom, se as piadas do Rafael Bastos e do Danilo Gentili podem…

Enfim, enviei à Oitoemeia, afinal, não teria mais o que fazer dele depois do fim do ano. Sem contar que a editora pedia histórias mais para Melancolia, do Von Trier, do que para o 2012 do Emmerich.  

Segue abaixo o resultado da seleção de autores, conforme informado pela Oitoemeia.

 

“Após três meses e 98 contos recebidos, a Editora Oito e meio anuncia o resultado da seleção dos autores “É assim que o mundo acaba”. No lugar de 10, serão 11 autores que farão parte com os convidados. Abaixo, seguem os contos e seus autores.

 
1) 13.0.0.0.0. ou Gracias pela cerveja – Sidemar Castro
2) A fábula dos vermes – Igor Sternieri
3) Meu amigo, o buraco negro – Gustavo Melo

4) Em cima do telhado com um rifle – Bruno Goularte
5) O Fim do Mundo de Todos os Dias – Verônica da Silva Ferreira
6) Depois do que aconteceu – Alessandro Garcia
7) Castelos de salitre são mais bastardos que o Mesmo do elevador – Alliah
8) The end never sleeps – Márcio Menezes
9) Do lado de fora do umbigo do mundo, Leonardo Marona
10) Venus sobre a Terra, urubus sobre os homens, Igor Dias
11) Deja-vu, Luís Souza

A editora deseja parabenizar todos os autores que submeteram seus trabalhos. Não foi uma escolha fácil.
E, em dezembro, será o lançamento da coletânea “É assim que o mundo acaba”.

 


CONVITE

16 de dezembro de 2011

Em São Paulo, neste sábado, participarei da tarde de autógrafos da antologia A Batalha dos Deuses, da Novo Século.


ANTOLOGIA

2 de novembro de 2011

A BATALHA DOS DEUSES

Primeira antologia da Novo Século será lançada dia 17 de dezembro

na Martins Fontes da Avenida Paulista

 

Fui convidado pelo escritor Juliano Sasseron (Crianças da Noite) a participar de uma antologia bem original, que eu saiba: a cada autor participante foi confiado um determinado panteão de deuses, já desaparecidos (dos quais só resta, praticamente, a mitologia) e seu conflito para manter a existência (ou a fé de seus crentes) diante do advento de um Deus Único, por exemplo, em suas várias formas. Acabei sugerindo o nome definitivo do livro, que de Panteão dos Deuses tornou-se A Batalha dos Deuses. Cada autor utilizou um panteão, seja nórdico, tupi, celta, romano, persa, maia, egípcio ou sumério, com seu gênero e estilo próprios (fantasia, horror, ficção científica ou histórica) para contar sua história, que também é a de um povo, de uma fé, ou um conflito entre povos e crenças.

“A humanidade criou os deuses à sua imagem e semelhança. Ou seria o contrário? Ao longo de milhares de anos, diversos panteões disputaram corações e mentes dos mortais, numa batalha que ainda não terminou, culminando no advento da ciência, para muitos, o novo deus único.

Mas qual seria o destino de tantos deuses e deusas quando seus crentes e adeptos perdem a fé neles? Desaparecem num limbo de deuses perdidos, perdem a imortalidade ou simplesmente somem, como se nunca tivessem existido?

Cristo, Maomé e Krishna confabulam entre si, observando homens que tentam se igualar aos deuses. Thor brande seu martelo nas tempestades, orientando os últimos vikings e valquírias em mundos perdidos na névoa. Os destinos do mundo são escritos pelos deuses maias nas páginas de um livro sagrado. A chegada do Deus Único expulsa os deuses antigos, celtas, romanos, egípcios e tupis, num confl­ito que prossegue até hoje e além.”

Abrindo a antologia, meu conto (ou devo dizer, noveleta) “Ragnarök”, revela aos últimos vikings e valquírias em jornada pelo Novo Mundo o destino dos deuses nórdicos. Mas não apenas estes: o conflito envolve também cristãos e celtas.

Simone O. Marques (Crônicas do Reino do Portal) mostra em “O Carvalho e o Visco” o embate entre o Deus Único que chega e os deuses celtas que partem para o Outro Mundo, numa Bretanha pós-romana e no alvorecer da Idade Média cristã.

Felipe Santos (O preço da Imortalidade) retoma suas raízes amazônicas em “Nhanderuvuçu”, onde Tupã e os deuses da floresta lutam na Arvore da Vida enquanto os “civilizados” se aproximam. Qual o destino do panteão tupi diante do catolicismo dominante?

O estreante Fernando Henrique de Oliveira conta em “Pontifex Maximus” o embate dos deuses e da fé que determinaram o destino do Império Romano. Ficção histórica que aborda um ponto crítico da história ocidental, quando o Imperador Constantino legalizou o cristianismo e dividiu Ocidente e Oriente.

O jornalista e pesquisador Sérgio Pereira Couto (Help – A Lenda de Um Beatlemaníaco) do alto de seus mais de 40 livros, divulga em “Popol Vuh” a herança do panteão maia. Quem seriam estes deuses pouco conhecidos, principalmente agora que se fala tanto sobre o calendário maia?

Albarus Andreos (A Fome de Íbus) conta como ainda vivem, amam e odeiam os deuses do Antigo Egipto em “A Menina que Olhava”. Um conto quase intimista, nos dias atuais.

Estevan Lutz, autor do romance cyberpunk O vôo de Ícaro, mostra outra realidade alternativa em “A Última Ceia de Mitra”, onde o cristianismo não se tornou a religião dominante.

Márson Alquati, escritor da trilogia Ethernity, narra em “O Legado Anunnaki” a origem dos deuses astronautas desde os antigos sumérios.

Fechando a antologia que organizou, Juliano Sasseron (Crianças da Noite) demonstra em “Consciência Quântica” que as unificações das religiões e das teorias físicas andam em paralelo.


ANTOLOGIA

19 de outubro de 2011

OS MUNDOS DE DIESELPUNK

 OU

DIESEL… É PUNK!

Antologia retrofuturista desenvolve múltiplas sociedades alternativas no passado, especulando a partir da tecnologia do motor a explosão

Uma vez completa a leitura das quase 400 páginas da segunda antologia da série “punk” da Editora Draco, “Dieselpunk – Arquivos confidenciais de uma bela época” (a primeira foi “Vaporpunk”, e a próxima será “Solarpunk”, em 2012) percebemos que as nove noveletas que a compõem formam um mix de temas tão diferentes entre si no estilo quanto na ideologia.

As sociedades alternativas que dominam o Brasil e o mundo nesse passado que não foi, mas talvez tenha sido, em algum lugar no Multiverso (segundo a Teoria M) – retratam um espectro político que vai da opressão de uma ditadura stalinista até uma sociedade com uma esquerda utópica e “politicamente correta”. Entre estas visões políticas polarizadas, temos histórias com sociedades mais convencionais do tipo dominante no gênero retrofuturista, particularmente o steampunk, como monarquias imperialistas, seja elas brasileira, portuguesa ou francesa; mas também há lugar para repúblicas com estágios diferentes de desenvolvimento ou corrupção, no Brasil ou algum lugar imaginário. As tecnologias do motor à explosão extrapolam em suas páginas de simples máquinas a diesel até robôs gigantes, locomotivas voadoras e homens-foguetes no melhor estilo Rocketeer, entre outras traquitanas e armamentos variados.

Essa talvez seja uma vantagem que o dieselpunk tenha sobre seu antecessor cronológico, o steampunk: quanto mais no “futuro”, ou mais próximo de nossa época, maiores e mais rápidas são as transformações científicas, políticas e sociais do mundo. Enquanto a percepção dos anos 60 a 90 do século XIX são até certo ponto bem semelhantes entre si, as mesmas décadas no XX possuem características mais marcantes, tanto sociais e políticas quanto tecnológicas. As mudanças em uma sociedade, que antes demandavam meio século ou mais para acontecer, agora não levam mais de uma década, poucos anos até. Para nós, contemporâneos do século XXI, cada década recentemente passada tem seu estilo, moda, ideologia, cultura; “anos dourados”, “anos rebeldes”, cada década tem sua própria identidade.

Já foi dito que a ficção científica só se tornou possível como literatura (e outras mídias) por que passamos a viver em um mundo em que era possível ver e sentir as transformações acontecendo no decurso de uma vida e assim especular sobre as futuras mudanças provocadas pelo desenvolvimento das ciências, economia e política nos costumes e seu impacto na humanidade: processos industriais, bens de consumo, legislação social, direitos civis, revolução sexual, emancipação das mulheres e minorias étnicas entre outros.

Assim, enquanto o steampunk é geralmente focado numa sociedade vitoriana, imperialista, ainda na primeira fase da Revolução Industrial (mesmo que com extrapolações fictícias), seu derivado imediato, o dieselpunk, tem uma maior flexibilidade política, variação ideológica e de costumes. Isso se revela nitidamente na leitura das duas antologias, a “Vaporpunk” e a atual. E deverá ser ainda mais, suponho, na próxima da série, “Solarpunk”.

As técnicas e o estilo utilizados pelos autores para contar suas histórias também variam muito. As referências vão desde a literatura pulp até a mainstream, dos quadrinhos ao cinema. Os protagonistas são tanto herois movidos por idealismo quanto por propósitos pouco nobres.

Um ponto a destacar nesta antologia (assim como na anterior) é o excelente projeto gráfico desenvolvido pelo editor Erick Sama, da Draco. Um cuidado que vai desde a escolha das fontes até as ilustrações da capa, diagramação interna e tratamento das fotos, tudo no melhor estilo art decô, evocando a Belle Epoque. E não, a fonte do título não é inspirada na arte de Bioshock, como algum apressado poderia pensar – apenas, ambas as artes beberam na mesma fonte óbvia: o estilo visual que definiu uma época. Uma bela época, mas que abriu caminho para extremos de violência, ideologia e sacrifícios.

AS NOVELETAS

“Fúria do Escorpião Azul”, de Carlos Orsi,

A antologia abre com uma aventura no melhor estilo pulp de herois mascarados combatendo a opressão com artefatos tecnológicos. O que chama a atenção na noveleta é a ambientação: a aventura se passa num Brasil dominado por uma ditadura stalinista, sob forte influência soviética (talvez um regime nascido de uma bem sucedida Intentona – ou Revolução Comunista). Fora o background político, a trama segue os cânones do gênero, com o heroi mascarado surgindo nos momentos decisivos e aplicando sua própria justiça, feito um Sombra, Besouro Verde ou Spider (o “Aranha”, heroi esquecido que teria influenciado na criação de Batman) nascidos nas páginas das revistas de “ficção de polpa” ou nas antigas radionovelas. O personagem e o universo criado por Carlos Orsi são fortemente característicos, e espero que novas aventuras do Escorpião Azul possam ser contadas. Afinal, ele deixou uma guerra de libertação em aberto.

“Grande G”, de Tibor Moricz.

Destoando do caráter luso-brasileiro das demais noveletas (mas que o organizador não proibiu enfaticamente, embora declarada a preferência lusobrasileira), a história se passa em dois ambientes distintos e anglófonos: Steam City (Cidade do Vapor) e Smoke City (Cidade da Fumaça), ambas rivais e, claro, representações dos subgêneros steampunk e dieselpunk. Mas o nome ideal não deveria ser Oil City, ao invés de Smoke City?… Afinal, vapor também faz fumaça… aliás, muita fumaça! Mas nomes à parte, a noveleta foi desenvolvida no característico tom de fábula de FC do autor (como em “Cibermetarrealidade”, na antologia Contos Imediatos, da editora Terracota, ou no romance “O Peregrino”, da Draco), sem poupar generosas doses de sexo, sadismo e incesto, entre otras cositas más. Tibor exibe sem pudores e com um humor bem negro a luta pelo poder entre os herdeiros do Grande G do título, magnata que governa com mão de ferro Smoke City. Parece uma narrativa bem apropriada para uma HQ retrofuturista da revista Heavy Metal (Metal Hurlant para os franceses) e ficaria bem no traço de um Moebius ou Kaza. Ou talvez de um Manara, mais afeito ao erotismo. Se nessa antologia retrô foi assim, imagino como Tibor irá se superar na “Erotica Phantastica”, que Gerson Lodi-Ribeiro organiza até o fim do ano…

“O dia em que Virgulino cortou o rabo da cobra sem fim com o chuço excomungado”, de Octavio Aragão.

Título arretado e história idem. Imagine um confronto entre a Coluna Prestes, o lendário grupo de revolucionários tenentistas dos anos 20 e as tropas do capitão Virgulino Ferreira, o igualmente célebre Lampião – fato que quase aconteceu – mas incrementado com armamento de ponta futurista. Com perfeita recriação de época, ambientação e credibilidade na trama, a noveleta tem um desfecho clássico e surpreendente (e fico por aqui para evitar spoilers), para quem conhece o trabalho do autor na série de viajantes do tempo brasileira, Intempol. Por falar nela, Octavio Aragão está às voltas novamente com sua cria, com uma nova versão em quadrinhos prestes a ser lançada pelo novo selo de HQs da Draco: “Para Tudo Se Acabar na Quarta-feira”, com desenhos de Manoel Ricardo.

“Impávido colosso”, de Hugo Vera

Esta é a mais steam, na forma, das histórias desta antologia dieselpunk. O Império do Brasil, em pleno século XX, aliado ao Paraguai, está em plena guerra com a Argentina (armada pelos ingleses), o que torna muito fácil para que lado torcer. Principalmente por que uma das heroinas é certa Clarice Riquelme, uma voluptuosa, sensual e esperta espiã paraguaia. Claro que o fato da personagem ter sido inspirada numa celebridade momentânea da última copa (Larissa Riquelme), pode tornar a referência datada. Mas isso não importa tanto. Abundam na literatura personagens fictícios inspirados em figuras hoje esquecidas. Afinal, o que importará mais adiante não é o que a musa inspiradora foi, mas sim o uso que um escritor fez dela, o que de certa forma a imortaliza. Por outro lado, como vi posts do autor junto a algumas panicats (para quem não está acostumado com uma programação de alto nível cultural, aquelas garotas de poucas roupas e muitos atributos do programa Pânico, da Rede TV), imagino que já terá inspiração para futuros personagens em seus próximos trabalhos…

Mas voltando à história, o Império do Brasil (governado por Dom Pedro III) é invadido por hostes de mecanóides argentinos, robôs a óleo que nada pode deter. Exceto um robô gigante, verdadeiro “mecha”, pilotado por um descendente do Barão de Mauá e desenvolvido por ninguém menos que o próprio Rudolf Diesel, o inventor já velhinho da tecnologia que leva seu nome. Cuidem-se, hermanos…

“Pais da aviação”, de Gerson Lodi-Ribeiro.

Mais uma noveleta de história alternativa clássica em sua forma (quando um ponto de divergência diferencia o desenvolvimento histórico conhecido por nós), do que um conto puramente dieselpunk. Nesse mundo, ao contrário do nosso, Napoleão Bonaparte arriscou no uso pioneiro da navegação a vapor, oferecida pelo americano Fulton (em nossa realidade ele recusou), o que garantiu sua vitória sobre os britânicos em Trafalgar. Nesse caso, a invasão napoleônica das monarquias ibéricas não levou à independência da América Latina, mas à sua incorporação ao Império francês, a Hegemonia, Brasil incluso.

Tudo começa com os irmãos Wright (os inventores americanos do avião) oferecendo seu aeroplano aos franceses, só para descobrir que certo le Petit Santos já dotou o Império com seus próprios mais pesados que o ar, os quais dispensam uma catapulta de lançamento, ao contrário do veículo ianque. Uma doce vingança literária contra a primazia aeronáutica americana, sempre decantada na ficção científica deles, tal como aquela irritante abertura de “Star Trek: Enterprise”, em que ao navio a vapor sucede o avião dos irmãos Wright…

A história nos leva a seguir para um combate, este já em época diesel, digamos assim, entre batalhões compostos por brasileiros (membros do Império Francês) contra revoltosos peruanos, com direito a bombardeios e gases mortais. Assim como outras histórias de Gerson (em que outros Brasis convivem com uma República Palmarina e uma Nova Holanda), este universo da Hegemonia Européia possui uma riqueza própria que espero ver novamente.

“Ao perdedor, as baratas”, de Antonio Luiz M. C. Costa

A noveleta do colunista de política internacional da revista Carta Capital desenvolve-se num Brasil republicano, com forte presença indígena, e onde personagens da história e da literatura cruzam destinos. Pertencente ao mesmo universo dos “Outros 500”, do conto “A Flor do Estrume”, incluído na coletânea “Steampunk” da Tarja Editorial, a trama se passa cerca de 70 anos depois. O protagonista é um agente secreto de um grande império capitalista do Norte (uma Holanda Americana, que aparentemente toma o lugar dos Estados Unidos – lembremo-nos de que Nova York nasceu como Nova Amsterdam) e tenta interferir nas eleições brasileiras. Personagens reais como Francisco de Lima e Silva contracenam com fictícios de Oswald de Andrade e Ariano Suassuna, assim como… a barata gigante de Kafka. Ou pelo menos, uma versão FC dela.

“Ao perdedor, as baratas” é uma história com fundo político socialista, com a ameaça do “imperialismo capitalista” representado pelo vilão batavo, Robbert, o protagonista da história. Ideologicamente, digamos que a noveleta de Antonio Luiz está para a revista Carta Capital, como “Fúria do Escorpião Azul”, de Carlos Orsi, estaria para a Veja… O que, no mínimo, demonstra o caráter bem democrático de “Dieselpunk”.

“Auto do extermínio”, de Cirilo Lemos

Literariamente uma das mais bem escritas histórias da antologia, “Auto do extermínio” se passa no contexto das lutas ideológicas entre comunistas e integralistas do Brasil dos anos 20, de um Império que sobrevive com um caquético Dom Pedro III (outro!), na iminência de um golpe de estado. E como na minha história, também tem um Vargas primeiro-ministro, mas bem diferente. Personagens bem interessantes e construídos, como Joana, uma agente secreto tentando salvar o Império, Jerônimo Trovão, um matador de aluguel assombrado pela presença de uma Santa conselheira que só ele enxerga – enquanto seu filho, Nômio, tem a companhia de um heroi igualmente invisível de revista pulp, o Democrata (nenhuma alusão política recente, que eu saiba…). Em meio a tudo isso, articula-se um golpe, com apoio americano. Outros elementos fantásticos que compõem a noveleta são um clone do imperador, um robô cilindróide e um fuzileiro ciborg, compondo um quadro quase weird.

“Cobra de fogo”, de Sid Castro

Minha própria noveleta. Como é um tanto imparcial falar do próprio trabalho, emprestei palavras de outras duas resenhas, comentando-as. Claro que isso tornou esse bloco desproporcionalmente maior que os outros…

A primeiro foi feita pelo Antonio Luiz M. C. Costa em sua coluna, aqui. [A história] “põe em jogo um D. Pedro III pela terceira vez nesta coletânea e Getúlio Vargas retorna como primeiro-ministro, mas de resto é bem original. Talvez seja a noveleta mais divertida da coletânea. Com certeza é a mais hábil no uso inteligente e criativo de clichês.” [Usei e abusei de situações clichês da literatura pulp, das HQs e do cinema. Quanto a Dom Pedro III (de novo!), imaginei outro nome a princípio, mas por motivos vários que cabem aqui, aceitei a sugestão de nosso organizador [juro que não sabia que os outros imperadores tinham o mesmo nome…], que certamente se divertiu maquiavelicamente em ter versões bem distintas do mesmo monarca em três noveletas diferentes…]

“Nesta versão do século XX, houve uma Guerra Mundial de 1919 a 1929 que acabou com uma troca de bombas atômicas. Depois disso, uma Liga das Nações impôs uma “Pax Atomica” na qual os conflitos internacionais serão decididos de maneira supostamente esportiva, com corridas pelos quatro cantos do mundo entre locomotivas voadoras do tamanho de destróieres”. [Confesso que foi muito divertido (e trabalhoso!) criar os nomes das supermáquinas para cada potência, como a Charlemagne para a França, a General Lee americana, a Yamato japonesa, a Potemkin russa etc…]

“Trata-se de uma Corrida Mundial pela Amazônia. Alemanha, Áustria-Hungria (governada por Hitler), União Soviética (liderada por Trotsky), Japão, China, Estados Confederados (o sul venceu a Guerra Civil), Reino Unido [na verdade, República Britânica], França, Holanda e outros países pretendem disputá-la e o Brasil e seus vizinhos querem conservá-la. O clichê hollywoodiano da “Corrida Maluca” cheia de truques sujos, popular de “A Corrida do Século” de Blake Edwards ao “Speed Racer” dos irmãos Wachowski, é levado aqui a um extremo insuperável e isso é só o começo da diversão, especialmente para os cinéfilos.” [Speed Racer foi uma das principais fontes para a noveleta, sem dúvida. Mas o anime japonês, não aquele filme estranho dos irmãos Wachowski…]

“A corrida parte de Casablanca, com direito a uma noite no Rico’s Café ouvindo “As Time Goes By”. Citações e alusões a filmes famosos pipocam de surpresa a cada página, de “Stalker” de Tarkovsky ao “Apocalypse Now” de Coppola, com batalhas entre Dragões (voadores) da Independência, samurais e caubóis. [“Stalker”, o filme, mas principalmente o livro, dos russos Arkadi e Boris Strugatsky, homenageados em dois personagens.]

“A trama, por rocambolesca que seja, faz sentido e os personagens ficcionais e históricos se misturam muito bem, todos com vida e personalidade. Vale notar a participação de Olga Benário e Erwin Rommel pela Alemanha, Charles Lindbergh e Jesse James III pelos Confederados, Antoine Saint-Éxupery e Charles de Gaulle pela França e Amon Göth, o vilão de “A Lista de Schindler” pela Áustria-Hungria, além dos protagonistas brasileiros. [Com dor no coração cortei muitos outros personagens…]

“É a noveleta mais cinematográfica em todos os sentidos, a mais digna de virar uma superprodução hollywoodiana.”

Uau! Mas receio que jamais verei esse filme… Porém, uma versão em quadrinhos é mais factível. Foi a sugestão do escritor Romeu Martins em seu blog “Cidade Phantastica” aqui , autor do conto de mesmo nome publicado em “Steampunk – Histórias de um Passado Extraordinário”, da editora Tarja. Aliás, revelei a ele uma curiosidade. Quase todos os personagens tem nomes referentes de uma maneira ou outra, como o mitológico Dâmocles, os Vultani (tirado do vilão do antigo seriado “O Homem Foguete”) e com consoantes dobradas, como nas HQs da Era Clássica. Já o mecânico JD (João Diesel), confessadamente inspirado no Sparky do Speed Racer, não conseguia um nome que me agradasse. Até que lembrei do antológico João Fumaça de Cidade Phantástica… e voilá.   Segundo ele: “A penúltima noveleta é a terceira a contar com um D. Pedro III em todo o livro, dando conta de como histórias sobre impérios brasileiros alternativos fazem mesmo parte do imaginário de nossos escritores. “Cobra de Fogo”, do editor gráfico de São Paulo [Catanduva] Sid Castro, é a história mais empolgante e divertida do livro e a que melhor emprega as possibilidades do gênero quando se pensa no básico do dieselpunk: enormes veículos movidos a óleo diesel em um mundo vagamente semelhante ao do início do século XX. O autor oferece exatamente isso, uma corrida maluca entre gigantescas locomotivas que correm fora de trilhos, por terra, céu e mar, se preciso for. Na disputa, que ocorre em torno do globo, a posse territorial da Amazônia.

Sid Castro criou uma história que é bastante leve, mas sem descuidar em nenhum momento na motivação dos personagens e na dos países e impérios que eles representam. Por trás de cada um dos pilotos incríveis e de suas máquinas extraordinárias – às vezes até mesmo na ambientação e nos intertítulos engraçadinhos –, um festival de referências, quase sempre cinematográficas, aguarda os leitores. Vamos unir agora dois fatos. Primeiro: na lista de antigas atividades do autor publicada ao final do livro estão incluídas as de ex-chargista [resolvi resgatar atividade nesta matéria e espero que os autores não se sintam ofendidos…] e de ex-quadrinista (ele produziu roteiros e desenhos para revistas nacionais como Calafrio e Mestres do Terror); e segundo: a Draco vai estrear brevemente um selo dedicado às HQs com um álbum do citado Octavio Aragão e sua Intempol. Fica aqui uma sugestão, pois seria ótimo ver as locomotivas M’Boitatá, do Império do Brazil, General Lee, do Estados Confederados da América, Potenkim, da União Soviética, Yamato, do Japão, e todas as outras em uma graphic novel com o selo do dragão na capa. [Ha-ham!… Erick?… ]

“Só a morte te resgata”, de Jorge Candeias

Fechando com classe, a única contribuição portuguesa nesta antologia (“Vaporpunk” teve três) parece ter tido seu texto convertido ao “português brasileiro”, muito embora seja possível sentir o sabor lusitano da narrativa. Li essa noveleta logo após a releitura de “Unidade em chamas”, do livro acima citado, já que ambas são do mesmo universo, em épocas distintas. Puxando a “sardinha” para seu país, Jorge Candeias imaginou um Portugal que retornou aos tempos de superpotência, graças ao desenvolvimento da “Passarola”, dirigível de guerra criado pela tecnologia steamer do brasileiro padre Gusmão. No primeiro conto, o protagonista era um jovem aeronauta português, às voltas com um multiétnico império luso; desta feita, em “Só a morte te resgata”, a narrativa centra-se em um brasileiro sulista, Jeferson, traidor da Confederação Lusitana (da qual o Brasil faz parte), lutando pelas potências européias do norte, devido a seu caráter racista. As passarolas foram substituídas por albatrozes, sua versão diesel, em combates aéreos nos desertos africanos. Abatido, Jeferson inicia um longo percurso de volta à sua casa e seu destino incerto.

Ambas as noveletas poderiam ser excertos de uma novela maior, tantos são os detalhes cuidadosos na criação do ambiente e a rica psicologia dos personagens, o que se faz em certo detrimento da ação, mas com um bom equilíbrio entre as partes. O resultado final é um universo bastante crível e consistente, que certamente dará origem a novas histórias, ou talvez mesmo um romance.